Israel declara trégua humanitária de 4 horas após ataque

Porta-voz do Hamas declarou que não considera a medida válida, porque exclui áreas de onde o grupo quer retirar feridos

Agência Estado

30 Julho 2014 | 10h24

O Exército de Israel declarou uma trégua humanitária de quatro horas na Faixa de Gaza nesta quarta-feira, após o ataque a uma escola da Organização das Nações Unidas (ONU) no território que deixou 15 mortos e 90 feridos. O cessar-fogo teve início às 15h (horário local, 9h em Brasília). O porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, declarou porém que a medida israelense não tem qualquer "valor" porque exclui áreas fronteiriças de onde o grupo quer retirar feridos.

Pouco antes de o cessar-fogo entrar em vigor, sirenes advertindo sobre o disparo de foguetes do Hamas foram ouvidas em várias comunidades do sul de Israel.

A escola abrigava mais de 3 mil palestinos, informou a ONU em comunicado. Foi o segundo ataque fatal contra um abrigo da instituição nas três semanas de ofensiva no território costeiro. O Exército israelense afirmou que morteiros haviam sido disparados de um lugar perto da escola e que os soldados dispararam de volta.

Ataques e bombardeios israelenses também mataram 40 palestinos em outras regiões de Gaza nesta quarta-feira, dentre eles vários membros de suas famílias cujas casas foram atingidas, disseram funcionários da área da saúde.

O ataque à escola da ONU no campo de refugiados de Jebaliya faz parte dos mais pesados ataques aéreos e de artilharia do atual conflito. A campanha israelense em Gaza foi intensificada na terça-feira com a destruição de importantes símbolos de poder do Hamas, dentre eles a casa de um importante líder do grupo. A única usina de energia do território foi fechadas após bombas atingirem um tanque de combustível, que pegou fogo.

Nesta quarta-feira, aviões israelenses atingiram dezenas de locais em Gaza, dentre eles cinco mesquitas que, segundo Israel eram usadas por militantes.

Em Jebaliya, disparos de tanques atingiram a escola da ONU antes do amanhecer, afirmou Adnan Abu Hasna, porta-voz da agência de refugiados da instituição, que abriga mais de 200 mil pessoas desalojadas pelos confrontos em dezenas de escolas em todo o território costeiro palestino.

Hasna disse que a comunidade internacional deve entrar em cena. "É responsabilidade do mundo dizer a nós o que faremos com mais de 200 mil pessoas que estão dentro de nossas escolas, pensando que a bandeira da ONU irá protegê-las", disse ele. "O incidente de hoje prova que não há lugar seguro em Gaza."

O número total de palestinos mortos desde o início dos confrontos, em 8 de julho, subiu para 1.284, disse Al-Kidra. Mais de 1.700 palestinos ficaram feridos. Israel perdeu 53 soldados e três civis. Fonte: Associated Press e Dow Jones Newswires.

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