Israel desafia EUA e aprova novas casas em Jerusalém Oriental

Desafiando os Estados Unidos, Israel aprovou nesta terça-feira a construção de 900 casas para judeus em uma parte da Cisjordânia ocupada na guerra de 1967 e depois anexada a Jerusalém.

REUTERS

17 Novembro 2009 | 17h05

O jornal Yedioth Ahronoth disse que o representante especial do governo de Barack Obama, George Mitchell, pediu na segunda-feira ao governo israelense que bloqueasse o projeto no assentamento de Gilo, onde já vivem 40.000 israelenses. Mesmo assim, uma comissão governamental aprovou as obras.

Israel não considera que Gilo seja um assentamento em território palestino ocupado, alegando que se trata de um bairro de Jerusalém, cidade que os judeus reivindicam como sua capital.

A decisão contraria a reivindicação palestina para que Israel paralise a expansão dos assentamentos como precondição para a retomada do processo de paz, e no futuro reconheça Jerusalém Oriental como capital do eventual Estado palestino.

De acordo com o Yedioth Ahronoth, o assessor governamental que se reuniu com Mitchell rejeitou o pedido relativo a Gilo. O porta-voz do governo israelense, Mark Regev, não quis comentar a notícia, mas disse que Israel não considera áreas anexadas a Jerusalém como parte de qualquer acordo com o governo Obama para exercer "moderação" na ampliação de assentamentos da Cisjordânia.

A prefeitura de Jerusalém divulgou nota confirmando as obras e dizendo que o prefeito Nir Barkat "se opõe fortemente à exigência norte-americana de suspender as construções em Jerusalém". Não ficou claro quando começarão as obras em Gilo. Cerca de 500 mil judeus vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, duas regiões capturadas em 1967, no meio de 2,7 milhões de palestinos.

Israel anexou Jerusalém Oriental depois da guerra de 1967, uma ação que não foi reconhecida internacionalmente. Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como a capital de um Estado que esperam estabelecer na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

IMPASSE

"O primeiro-ministro (Benjamin) Netanyahu, a fim de colocar o processo de paz de volta nos trilhos, está disposto a adotar a política de maior moderação possível com respeito ao crescimento da Cisjordânia -- mas isso vale para a Cisjordânia. Jerusalém é a capital de Israel e continuará como tal", disse Regev.

O chanceler palestino, Riyad al-Maliki, condenou a decisão, que disse ser mais um passo "destinado a impedir a viabilidade do Estado palestino".

Autoridades dos EUA ainda não se manifestaram sobre o assunto.

Obama está pressionado pela retomada do processo de paz na região, paralisado há quase um ano. Enquanto pede moderação na ampliação dos assentamentos, Washington também pressiona os palestinos a abandonarem sua exigência pelo congelamento total dos assentamentos israelenses.

Mais conteúdo sobre:
ORMED ISRAEL CASAS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.