Israel descarta lançar nova ofensiva contra a Faixa de Gaza

Governo quer dar mais tempo para Egito negociar trégua; menina de seis anos morre em ataque israelense

Agências internacionais,

11 de junho de 2008 | 09h28

Líderes israelenses decidiram nesta quarta-feira, 11, suspender os planos de uma ampla operação militar contra a Faixa Gaza, apesar da nova escalada de violência na região. Segundo um porta-voz, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, quer dar mais tempo para que o Egito tente mediar uma trégua entre as forças do Estado judeu e do Hamas.  A decisão foi anunciada mesmo com os novos confrontos registrados. Nesta quarta, um projétil israelense disparado contra um grupo de militantes palestinos no sul de Gaza atingiu uma casa próxima do alvo durante a madrugada e decapitou uma menina de seis anos que estava no quintal nos fundos da residência. Um homem de 55 anos também foi morto no território palestino, enquanto dois civis israelenses foram feridos sem gravidade por morteiros lançados por militares. Durante o encontro liderado pelo premiê Ehud Olmert e altos oficiais políticos e de segurança, foi decidido que Israel não lançará nenhuma operação militar, mas instruiu que o Exército esteja preparado no caso de falha nas negociações de trégua, afirmou o porta-voz do governo Mark Regev. Autoridades de segurança afirmaram ainda que Israel escolheu o responsável pelo diálogo com o Hamas, Amos Gilad, que está em Cairo nos próximos dias para liderar a discussão. O Egito tenta mediar um acordo de cessar-fogo entre o grupo islâmico e o governo israelense. O porta-voz do Hamas Sami Abu Zuhri afirmou que o anúncio de Israel "não é sério" e acusou o Estado judeu de preparar uma ofensiva contra o território dominado pelo grupo desde junho. "O anúncio israelense não é sério, pois o invasor continua com sua agressão cotidiana contra o nosso povo, que deixou seis mártires em 24 horas. Ao impor condições, o ocupante coloca obstáculos que impedem qualquer trégua", disse à AFP. Israel ocupou a Faixa de Gaza durante quase quatro décadas até retirar-se em setembro de 2005, quando desmantelou todos os seus assentamentos judaicos e bases militares mantidos na região e saiu do território palestino litorâneo no âmbito de uma iniciativa unilateral do então primeiro-ministro Ariel Sharon. Entretanto, Israel manteve o controle sobre as fronteiras terrestres, o espaço aéreo e as águas territoriais de Gaza. O Hamas controla a Faixa de Gaza desde junho do ano passado, quando derrotou as forças rivais do grupo laico Fatah durante uma semana de violentos confrontos. Desde então, Israel apertou o cerco e fechou todas as passagens de fronteira de Gaza.  Violência Uma menina palestina de seis anos, um civil e um miliciano do Hamas morreram nesta quarta vítimas de ataques israelenses no povoado de Al-Qarara, no sul da Faixa de Gaza, informaram fontes médicas palestinas. Um projétil israelense disparado contra um grupo de militantes atingiu uma casa durante a madrugada e decapitou a criança que estava no quintal nos fundos da residência, disseram fontes médicas e um parente da criança. O Exército israelense informou que seus soldados abriram fogo contra militantes que se preparavam para lançar foguetes na direção de Israel. Por meio de um comunicado, o comando militar israelense enfatizou que o alvo era o grupo e que não estava ciente de vítimas entre civis. O médico Moaiya Hassanain, funcionário do Ministério da Saúde de Gaza, identificou a menina morta no ataque em Gaza como Hadeel al-Smari. Ainda segundo ele, dois familiares adultos da menina que moravam no mesmo imóvel também morreram no incidente. Imagens feitas pela Associated Press Television News indicam que a cabeça da menina foi decepada pelo impacto da explosão. Ahmad al-Smari, primo de Hadeel, disse à Associated Press que a menina estava no quintal dos fundos da casa quando ocorreu a tragédia. Não se sabe ao certo o que ela fazia no quintal durante a madrugada. "Só tenho certeza de que ela estava acordada, pois ninguém consegue dormir nem de dia nem de noite por causa do Exército e dos confrontos perto de nossas casas", disse Ahmad por telefone. Ele estava no hospital de Khan Younis, no sul de Gaza, onde atendeu a ligação. "Nossa vida é um inferno. Não podemos dormir nem viver em paz por causa dos bombardeios do Exército." Hassan Assaliya, um civil palestino de 55 anos de idade, morreu em um ataque aéreo ao leste do campo de refugiados de Jabalya, no norte de Gaza, informou Hasanein. Ele foi atingido por uma bomba quando cultivava suas terras, disseram testemunhas. Neste ataque também ficaram feridos outros dois civis, um deles uma jovem que está em estado grave, afirmou o médico, que inicialmente confundiu as vítimas com milicianos do Hamas. O braço armado do grupo islâmico Hamas informou que um de seus homens também morreu nas operações militares de Israel. O comando militar israelense acusa os militantes palestinos de colocar a vida de civis em perigo ao usarem bairros residenciais para lançarem ataques na direção de Israel.

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