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Israel desmente acordo para congelar expansão de colônias

Ao lado de Angela Merkel, premiê diz que informação da imprensa não passa de 'rumores sem base'

Efe,

27 de agosto de 2009 | 10h20

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, desmentiu nesta quinta-feira, 27, ter apresentado aos Estados Unidos um acordo para bloquear a ampliação dos assentamentos judaicos na Cisjordânia, como compromisso para relançar o processo de paz no Oriente Médio. "São rumores que não têm base", afirmou o primeiro-ministro israelense, na entrevista coletiva com a chanceler alemã, Angela Merkel, sobre as informações divulgadas pela imprensa israelense e britânica sobre um suposto acordo com o enviado americano para o Oriente Médio, George Mitchell.

 

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Segundo o jornal israelense Haaretz, Netanyahu apresentou aos Estados Unidos a proposta de interromper a construção em colônias judaicas na Cisjordânia durante nove meses. A oferta foi feita por Netanyahu ao enviado especial da Casa Branca para o Oriente Médio, George Mitchell, durante o encontro que mantiveram na véspera em Londres. Israel teria conseguido convencer a Casa Branca de deixar de fora do compromisso as colônias da parte oriental de Jerusalém, cidade que o Estado judeu considera sua capital "única e indivisível".

 

De acordo com o jornal, Mitchell então aceitou o fato de que Netanyahu, à frente de uma coalizão de direita, não está em posição de anunciar uma paralisação total na expansão das colônias do leste da cidade, que a grande maioria de israelenses considera bairros como qualquer outro. O congelamento também não afetaria as cerca de 2.500 casas em processo de construção nem os considerados casos especiais para manter uma "vida normal", ou seja, obras públicas como creches e escolas.

 

Merkel afirmou que parar a construção dos assentamentos era algo "decisivo" para relançar o processo de paz. O primeiro-ministro israelense insistiu em seu propósito de "encontrar as pontes" que sirvam para a retomada do processo, mas disse em que este estava submetido à prioridade de que, pela parte palestina, "meu país seja reconhecido como um Estado judeu".

 

Nem Merkel nem Netanyahu quiseram dar detalhes sobre supostos avanços nas gestões para conseguir a libertação do soldado israelense Gilad Shalit, capturado por um comando palestino perto da fronteira com a Faixa de Gaza em junho de 2006. "Toda vez que viajo ao exterior abordo a questão. E fico agradecido de comprovar que conto, nessa questão, com o apoio de quem tenho ao lado", disse Netanyahu, em relação a Merkel.

 

Netanyahu chegou a Berlim na véspera, procedente de Londres, após seu encontro com o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e com George Mitchell. A visita ocorre em um momento de crescente pressão sobre Israel para que o processo de paz seja retomado, o que, em grande parte, dependerá de que o Governo de Netanyahu dê passos na disputa envolvendo os assentamentos judaicos na Cisjordânia.

 

Holocausto

 

No país que anteriormente provocou o maior massacre do povo judeu, Netanyahu comparou as ameaças do Irã a Israel com o Holocausto ao receber os planos originais do campo de concentração de Auschwitz, segundo a agência de notícias AFP.

 

O Holocausto "poderia ter sido evitado", afirmou Netanyahu. "Sabiam dos planos, mas não fizeram nada. Não podemos deixar que isso se repita", completou.

 

"Não podemos deixar que alguns causem impunemente a destruição do Estado de Israel. Essa é a lição mais importante", disse o premiê em referência às ameaças iranianas, sem citar, entretanto, o país do presidente Mahmoud Ahmadinejad. "Não podemos deixar o mal organizar um assassinato massivo de inocentes", acrescentou.

 

Netanyahu recebeu os planos da editora alemã Axel Spinger, proprietária do diário Bild. O premiê agradeceu pelo "pelo verdadeiro presente" oferecido a Israel. Os documentos serão destinados ao monumento funerário Yad Vashem, em Jerusalém.

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