Israel deve acabar com ocupação em terras palestinas, diz Bush

Presidente americano reafirma que acordo de paz na região será assinado antes do fim de seu mandato em 2009

Agências internacionais,

10 de janeiro de 2008 | 14h03

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse nesta quinta-feira, 10, que Israel deve acabar com a ocupação dos territórios palestinos iniciada com a guerra de 1967, mas afirmou também que o futuro Estado palestino deve refletir sobre "a realidade" na região. As declarações foram feitas no início desta tarde em um hotel da cidade de Jerusalém após a reunião com o líder palestino Mahmoud Abbas na Cisjordânia, em que Bush afirmou que o acordo de paz para a região será alcançado antes do final de seu governo, neste ano.  Veja também:Acordo de paz pode sair em 2009, diz BushBush volta a dizer que Irã é ameaçaBush e Olmert reafirmam compromisso de paz Bush explicou sua visão sobre o "ponto de partida" das negociações no Oriente Médio. "Deve ser colocado um ponto final à ocupação que começou em 1967", ratificou. O resultado das conversas deve culminar em um Estado que será a pátria dos palestinos, enquanto Israel é a pátria dos judeus, completou o presidente americano. "Estas negociações devem assegurar que Israel tenha fronteiras reconhecidas internacionalmente e seguras, além de garantir um Estado palestino contínuo, soberano e independente, acrescentou". Mais cedo, em visita à cidade palestina de Ramallah, na Cisjordânia, Bush reafirmou que o acordo de paz entre israelenses e palestinos será finalizado até o fim de sua presidência, este ano. Depois de se reunir na quarta-feira com líderes políticos israelenses, o presidente Bush se encontrou nesta quinta com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e com o primeiro-ministro Salam Fayad. "Tenho um cronograma a cumprir", disse a repórteres. "Tenho doze meses". Esta é a primeira vez que Bush visita a Cisjordânia, mas sua visita não causou agitação entre os palestinos, céticos sobre suas promessas de paz. Bush disse que espera que israelenses e palestinos cumpram com sua parte do plano de paz e que Israel ajude os palestino a modernizar sua defesa. Críticos dizem, porém, que Bush passou os sete primeiros anos de seu governo sem se envolver diretamente com essa questão, que desafiou todos os seus antecessores nos últimos 60 anos. Muitos duvidam que seja possível resolver isso agora, quando Bush tenta deixar um legado positivo no Oriente Médio, após cinco anos de guerra no Iraque.  Israelenses pessimistas A maioria dos israelenses se mostra pessimista sobre a possibilidade de que a visita do presidente dos Estados Unidos represente um progresso nasnegociações de paz com os palestinos, segundo uma pesquisa divulgada nesta quinta. Para 77% dos palestinos, a visita de Bush não servirá para promover as negociações. Apenas 21% opinam o contrário na pesquisa, elaborada pelo instituto de demografia Dahaf para o jornal Yedioth Ahronoth". Segundo a pesquisa, 59% dos 500 israelenses entrevistados acham que a visita de Bush não influi na posição política interna do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, enquanto 38% estimam que a reforçará e 3%, que a enfraquecerá. Ceticismo Israelenses e palestinos, que reataram suas negociações de paz, ficarão de novo apenas nas boas intenções e em meio à cruel realidade quando o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, concluir na sexta-feira a sua primeira visita à região como chefe de Estado americano. Bush, que em 2003 retomou a idéia de resolver a centenária disputa entre judeus e árabes através da fórmula de "dois Estados" na Palestina, disse em sua visita que não imporá uma solução para o conflito, e que isso só pode ser alcançado entre as duas partes. Enquanto manifestantes ateavam fogo a bonecos de Bush e de Olmert e queimavam bandeiras dos EUA e de Israel, o presidente americano disse em Jerusalém que "o melhor para vencer a ideologia do ódio, que mata inocentes para alcançar seus objetivos, é a ideologia da esperança". Israel, invocando suas necessidades de segurança, continua operando com seu Exército na Cisjordânia - onde Abbas deseja criar um Estado palestino - e em Gaza, governado pelo movimento islâmico Hamas. Na Faixa de Gaza, que faria parte do novo Estado palestino independente, milicianos do Hamas continuam disparando foguetes contra civis israelenses. "Não haverá paz se houver terrorismo", declarou Olmert aos jornalistas. Bush concordou com o premiê israelense e disse que perguntaria a Abbas "o que ele está pensando fazer" sobre os ataques de Gaza, sob domínio do Hamas, que não reconhece o Estado judeu e não aceita negociar. Os palestinos, por sua vez, pediram a Bush em Ramala para que ele "pressione" Olmert a retirar, pelo menos, os "assentamentos ilegais" da Cisjordânia e que exija dele o veto da ampliação das colônias estabelecidas desde a guerra de 1967. Bush não fez cobranças apenas a Olmert; deu razão aos palestinos em suas reivindicações para acabar com os assentamentos judeus, medida a que os colonos se opõem. Durante a visita do presidente americano, o governo israelense autorizou a montagem dos alicerces de dez novos assentamentos. O processo de paz, que começou com a Conferência de Madri, em 1991, e continuou em 1993 com os Acordos de Oslo, quando houve o reconhecimento mútuo entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), já leva 16 anos com altos e baixos e deixou milhares de mortos. Annapolis foi, nesse longo percurso, um novo ponto de partida que, pelo menos por enquanto, não conteve a espiral de violência e que, segundo os mais otimistas, também não amenizará o conflito a curto e médio prazo, apesar da primeira visita de Bush à região como líder da maior potência mundial.

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