Israel deve propor nova regra para assentamentos aos EUA

Governo se compromete a desmantelar 20 colônias se Casa Branca retirar objeção às construções autorizadas

Agência Estado e Associated Press,

26 de maio de 2009 | 14h00

Israel se comprometeu a desmantelar 20 assentamentos na Cisjordânia, nos próximos meses, se os Estados Unidos retirarem as objeções à manutenção de construções nos assentamentos sancionados pelo governo. A proposta foi adiantada por funcionários israelenses, nesta terça-feira, 26.

 

Na semana passada, o presidente Barack Obama se encontrou com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Obama pediu na reunião a interrupção das novas construções em assentamentos. Porém Netanyahu desafiou essa requisição ao retornar a Israel, afirmando que o governo continuará a construir casas nos assentamentos existentes.

 

O ministro da Defesa, Ehud Barak, levará a nova proposta a altos funcionários norte-americanos durante visita a Washington, na semana que vem. Os funcionários israelenses falaram sob condição de anonimato.

 

De acordo com o chamado "roteiro para a paz", plano apoiado pelos EUA, Israel deve desmantelar esses postos avançados e interromper as construções nos assentamentos já existentes. Porém o país descumpre os termos do acordo desde que ele foi assinado, em junho de 2003.

 

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, deve se encontrar com Obama na Casa Branca, na quinta-feira. O negociador-chefe dos palestinos, Ahmed Qureia, disse que a interrupção imediata dos assentamentos será um tema importante na pauta. "Qualquer tentativa de manobrar sobre a interpretação do roteiro para a paz em relação a atividades de assentamento é inaceitável", afirmou Qureia.

 

Abbas já disse que não há sentido em se encontrar com Netanyahu, a não ser que ele congele a construção de assentamentos e concorde em negociar a independência palestina. Netanyahu concorda com a retomada das negociações, mas resiste à pressão dos EUA para que demonstre apoio a um Estado palestino.

 

Além disso, tanto Netanyahu quanto Barak já disseram que os 121 assentamentos atualmente existentes devem poder sofrer uma "expansão natural", ou seja, aumentar conforme cresce a população. A política norte-americana e o "roteiro para a paz" proíbem esse tipo de expansão.

 

Também nesta terça-feira, o vice-ministro de Relações Exteriores israelense, Moshe Yaalon, disse que Israel deveria anexar partes da Cisjordânia. Além disso, deve, na opinião dele, deixar a população palestina sob jurisdição da Jordânia. A ideia é rejeitada tanto pelo vizinho árabe quanto pelos EUA.

 

Os comentários de Yaalon foram feitos durante uma conferência no Parlamento. Os participantes disseram que os planos de paz anteriores pedindo que Israel devolva terra capturada aos palestinos fracassou. "O modo ocidental de pensar mostrou-se irrelevante e perigoso para esta região", avaliou o vice-ministro.

Tudo o que sabemos sobre:
Israelpalestinos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.