Israel deve reabrir fronteiras com Gaza a pedido do Egito

Governo israelense continua fechamento de ONGs na Cisjordânia supostamente ligadas ao Hamas

Agências internacionais,

08 de julho de 2008 | 10h06

O governo israelense afirmou nesta terça-feira, 8, que pode reabrir as fronteiras com a Faixa de Gaza em resposta a um pedido do Egito, revertendo a decisão anterior de fechar as passagens comerciais após ataques de militantes palestinos.   "Em resposta a um pedido especial feito pelo chefe de inteligência egípcio Omar Suleiman, o ministro da Defesa Ehud Barak concordou em reabrir as passagens ao meio dia", disse o Ministério da Defesa em nota.   Em uma trégua negociada com a mediação do Egito e iniciada em 19 de junho, militantes palestinos deveriam interromper os ataques com foguetes e morteiros contra o sul de Israel. Em troca, o governo israelense iniciaria a abertura gradual das passagens comerciais e encerraria o bloqueio contra o território palestino. A trégua foi violada pelas duas partes em diversas ocasiões, mas não foram registradas mortes em ataques em Gaza nem em seus arredores nos últimos 19 dias.   Israel anunciou mais cedo que fecharia todas as passagens na fronteira com a Faixa de Gaza após um ataque palestino lançado na segunda-feira. O governo permitiu ainda na segunda a entrada de aproximadamente 100 caminhões a Gaza pela primeira vez desde que iniciou há mais de um ano o bloqueio.   Antes de Israel fechar as fronteiras, entravam nesse território palestino entre 400 e 500 caminhões por dia, número que ficou reduzido a cerca de 50 a 70 desde junho de 2007, quando Hamas tomou à força o poder e expulsou as forças leais ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.   ONGs ligadas ao Hamas   Israel continuou nesta terça-feira, pelo terceiro dia seguido, o fechamento de ONGs na cidade de Nablus, na Cisjordânia, por considerar que essas organizações financiam o movimento islâmico Hamas, informaram fontes militares. Conforme informou um porta-voz do Exército, as operações de segunda-feira se concentraram em "movimentos islâmicos de caridade que atuam a favor da organização terrorista Hamas".   Segundo o Exército, estas organizações "atuam sob a fantasia da caridade para treinar jovens no espírito da jihad (guerra santa), apóiam famílias de terroristas suicidas e presos, e localizam e recrutam terroristas". O porta-voz disse ainda que as organizações "arrecadam quantidades significativas de dinheiro que é destinado ao terrorismo" e são redes que "servem como alternativa ao governo e ajudam o Hamas a aumentar seu poder".   Cerca de 120 veículos militares israelenses entraram em Nablus na segunda-feira, fecharam seis associações de caridade e fizeram batidas em várias outras. O escritório de informação do governo israelense anunciou em comunicado que o ministro da Defesa, Ehud Barak, assinou uma ordem para proibir em Israel 36 fundos internacionais ao considerar que "fazem parte da rede de financiamento do Hamas".   A medida, "a maior e mais ampla" deste tipo já aprovada por Israel, ataca o financiamento de organizações de caridade que pertencem ao movimento islâmico e a União do Bem, sua "organização de fundações ao redor do mundo, principalmente na Europa e nos países do golfo Pérsico", acrescenta   "A ordem ilegaliza um grande número de organizações ativas no estrangeiro responsáveis de arrecadar enormes somas de dinheiro para as atividades do Hamas em Judéia, Samaria (nomes bíblicos da Cisjordânia) e Gaza", assegurou o governo israelense.

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