Israel devolve militantes leais ao Fatah à Faixa de Gaza

Pelo menos 32 membros do clã Hilles que fugiram no sábado após choques com Hamas foram transferidos

Efe e Reuters,

03 de agosto de 2008 | 17h18

Israel começou neste domingo, 3, a devolver à Faixa de Gaza membros do clã Hilles, leal ao Fatah, que fugiram no sábado após um violento enfrentamento com as forças de segurança do Hamas, no qual 11 pessoas morreram. Ao contrário do anunciado em um primeiro momento, o Exército de Israel não chegou a transferir à Cisjordânia os quase 200 membros do clã Hilles, que entraram na noite do sábado em território israelense, mas começou a enviá-los novamente à Faixa de Gaza, onde, conforme vão chegando, são detidos pela polícia do Hamas.   Veja também: Após confrontos em Gaza, Abbas defende diálogo com Hamas   "Todos os que não estiverem envolvidos com atos que afetam a segurança serão imediatamente colocados em liberdade e devolvidos a suas famílias e casas", disse hoje o porta-voz do Hamas Sami Abu Zuhri, após pedir a eles que retornassem.   Segundo fontes de segurança israelenses, 32 foragidos foram devolvidos à Faixa de Gaza até agora. O Hamas, que acusa o clã de esconder suspeitos de terem cometido três atentados na semana passada na Faixa de Gaza, nos quais sete pessoas morreram, criticou os Hilles por terem fugido para Israel. "Os que recorreram à ocupação sionista não deveriam ter feito isso. Esse é seu lar, não deveriam tê-lo abandonado", disse neste domingo Abu Zuhri a jornalistas.   No entanto, o porta-voz afirmou que as forças policiais do Hamas estão "recebendo os que retornam e os tratando bem" e insistiu em que a operação não era dirigida contra a família Hilles, mas contra "pessoas que violaram a lei e utilizaram o clã para receber proteção."   Israel anunciou que os 188 membros do clã Hilles aos quais permitiu entrar no sábado, na maioria homens e algumas crianças, serão devolvidos à Faixa de Gaza entre domingo e segunda, com exceção dos 20 que continuam internados em hospitais israelenses.   "Ontem, recebemos todos os que nos pediram para entrar em Israel, porque (o presidente da Autoridade Nacional Palestina) Mahmoud Abbas e (o primeiro-ministro palestino) Salam Fayyad nos pediram que déssemos entrada a eles para transferi-los a Ramala", na Cisjordânia, disseram à Agência Efe fontes de segurança em Israel.   No entanto, "esta manhã nos pediram que os devolvêssemos a Gaza, e é isso que estamos fazendo", acrescentaram.   Gaza   A Cidade de Gaza amanheceu tranqüila neste domingo, após o violento sábado, 2, quando as forças de segurança e milicianos do Hamas trocaram tiros e morteiros com os homens do clã Hilles durante quase todo o dia. Os enfrentamentos de domingo foram os mais graves ocorridos na Faixa de Gaza desde que o Hamas expulsou as forças leis a Abbas e tomou o poder, em junho de 2007.   Oito membros do clã, dois policiais do Hamas e um transeunte morreram nos combates, iniciados de manhã no bairro de Shiyaiyeh, no leste da Cidade de Gaza. Mais de cem pessoas, entre elas 17 crianças, ficaram feridas e cerca de 50 foram detidas.   O bairro permanece fechado neste domingo pelas forças de segurança, que ainda estão patrulhando a região e realizando buscas em casas, segundo Islam Shahwan, porta-voz da Polícia de Gaza. As forças do Hamas apreenderam munição e armas nas casas dos Hilles, onde também encontraram um local usado para fabricar explosivos.   A polícia também conseguiu "deter várias pessoas procuradas às quais a família Hilles estava oferecendo esconderijo", disse o porta-voz. Entre os detidos está Zaki al-Sakani, que, segundo o Hamas, participou do atentado de 25 de julho, no qual morreram cinco milicianos do Hamas e uma menina.   Após o ataque, o Hamas culpou o Fatah de estar por trás do ato e iniciou uma onda de prisões dos simpatizantes da facção rival, que teve uma resposta semelhante na Cisjordânia por partidários do Hamas.   Desde então, o movimento islâmico deteve mais de 200 militantes e simpatizantes do Fatah em Gaza, enquanto as forças leais a Abbas prenderam cerca de 150 membros e partidários do Hamas, segundo dados da ONG Human Rights Watch, que denuncia as torturas e abusos contra os detidos por ambas as partes.   Ex-ministro do Hamas   No sábado, Israel libertou um ex-ministro do Hamas, disse neste domingo um oficial do grupo islâmico. Ele afirmou que Omar Abdel Razek, que era ministro das finanças quando Israel o capturou em junho de 2006, foi libertado por um júri israelense.   "O júri decidiu que o período em que ele serviu na prisão foi suficiente" disse Nasser al-Shaer, um ex-ministro do Hamas, sobre a soltura de Razek. "Eles o libertaram e ele está a caminho de casa". Autoridades israelenses não confirmaram imediatamente a libertação. Cerca de 40 oficiais do Hamas, incluindo legisladores, continuam sob custódia em Israel.  

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