Israel diz aos EUA que o tempo está se esgotando para o Irã

Israel alertou nesta quarta-feira o secretário de Estado dos EUA, Leon Panetta, que o prazo para uma solução pacífica na disputa nuclear com o Irã está se esgotando, e que as sanções e a retórica não estão bastando para convencer o governo iraniano.

PHIL STEWART E DAN WILLIAMS, Reuters

01 de agosto de 2012 | 18h40

Há fortes especulações de que Israel realizará uma ação militar contra o Irã para deter o programa nuclear iraniano, que o Ocidente suspeita estar voltado para o desenvolvimento de armas. O governo iraniano diz que seu programa atômico é inteiramente pacífico.

Panetta assegurou a seus anfitriões israelenses que os EUA não permitirão que o Irã desenvolva armas atômicas, e sugeriu que a ação militar será possível quando as demais opções forem esgotadas.

"Não se trata de contenção. Trata-se de deixar muito claro que eles nunca poderão obter uma arma nuclear", disse Panetta num momento da visita. "Se eles decidirem ir adiante com uma arma nuclear (...), temos opções que estamos preparados para implementar a fim de assegurar que isso não aconteça", declarou em outro momento.

Mas o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, salientou que o próprio Panetta vem dando declarações semelhantes há vários meses. "Por mais incisivas que sejam nossas declarações, elas não convenceram o Irã de que estamos falando a sério sobre contê-los", disse o premiê, ao lado de Panetta. "“Neste momento, o regime iraniano acredita que a comunidade internacional não tenha o desejo de conter seu programa nuclear. Isso precisa mudar, e precisa mudar rapidamente, porque o prazo para resolver essa questão pacificamente está se esgotando."

Um eventual conflito entre Israel e Irã poderia envolver os EUA, onde esse é um tema importante na atual campanha eleitoral. O candidato de oposição à Presidência, Mitt Romney, visitou Israel nesta semana.

O Estado judeu - que não confirma nem nega possuir armas nucleares, como se suspeita - diz que resta pouco para que o Irã obtenha uma "zona de imunidade" na qual as bombas israelenses seriam incapazes de penetrar nas instalações subterrâneas de enriquecimento de urânio.

Os EUA possuem armas mais potentes, o que permitiria um prazo maior para que as sanções surtam efeito.

Em entrevista coletiva ao lado de Panetta, o secretário israelense de Defesa, Ehud Barak, disse que "enquanto as sanções e a diplomacia não conseguem resolver o impasse “os iranianos estão avançando, não só no enriquecimento", o que foi uma possível referência ao desenvolvimento de mísseis.

(Reportagem adicional de Allyn Fisher e Douglas Hamilton)

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