Israel diz que 'órgão externo' não decide sobre sua segurança

Governo afirma que contínuos ataques de foguetes palestinos mostram que resolução da ONU é 'impraticável'

Agências internacionais,

09 de janeiro de 2009 | 18h46

O gabinete do primeiro-ministro israelense Ehud Olmert disse nesta sexta-feira, 9, que os contínuos ataques de foguetes palestinos contra o Estado judeu "apenas mostram" que o cessar-fogo para o conflito na Faixa de Gaza proposto pela ONU "é impraticável e que não será adotado pelas organizações assassinas palestinas". Em nota, o governo de Israel disse ainda que "nunca permitiu que um corpo externo decida sobre seu direito de proteger a segurança de seus cidadãos", e que a operação militar, que já matou mais de 800 palestinos, continuará em defesa dos israelenses, segundo o jornal Haaretz.   Veja também: Após fracasso da ONU, Egito tenta cessar-fogo ONU afirma que 257 crianças palestinas morreram em Gaza Cruz Vermelha suspende temporariamente ação em Gaza Brasil despacha ajuda; Amorim visitará Oriente Médio  'Crianças crescem em bunkers', diz brasileiro em Israel Embaixador brasileiro no Egito fala da negociação entre Hamas e Egito  Correspondente do 'Estado' fala sobre o conflito  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques       O Hamas também rejeitou a proposta da ONU para um cessar-fogo e continuou a disparar foguetes contra território israelense. Mais de 20 palestinos foram mortos por ataques israelenses nesta sexta-feira, e o número de feridos ultrapassa 3.200. Desde o início da operação de Israel, em 27 de janeiro, treze israelenses foram mortos.   Faixa de Gaza é atacada no 14.º dia da operação israelense. Foto: Reuters   No Líbano, Osama Hamdan, um representante do Hamas, disse à emissora de televisão Al-Arabiya que o grupo "não está interessado na resolução porque ela não atende às demandas do movimento". "Ninguém consultou o Hamas ou falou com o Hamas. Ninguém colocou o Hamas em perspectiva e mesmo assim pedem ao Hamas que aceite a resolução. Isso é inaceitável", disse Mohammed Nazzal, alto membro do grupo islâmico em Damasco, Síria.   Ainda nesta sexta, seis membros do Hamas deixaram a Faixa de Gaza e foram ao Egito, onde manterão conversas sobre uma proposta franco egípcia de trégua. Na quarta-feira, após a apresentação do plano pelo Egito juntamente com a França, o governo israelense disse que concordava "em princípio" com o texto. Um porta-voz do governo israelense, Mark Regev, afirmou que agora o desafio é encontrar maneiras de tornar o plano realidade. Na ocasião, um representante do Hamas também afirmou que havia "sinais muito positivos" para um possível cessar-fogo.   ONU   Ainda nesta sexta-feira, funcionários da ONU disseram que retomarão o envio da ajuda humanitária em breve. A entrega foi suspensa na quinta, após dois motoristas de caminhões que transportam os suprimentos terem sido mortos por fogo israelense.   A porta-voz da ONU, Michele Montas, disse que os militares israelenses deram garantias de que os incidentes não se repetirão. Funcionários da ONU se encontraram nesta sexta com israelenses no Ministério da Defesa de Israel em Tel-Aviv e o governo de Israel "lamentou profundamente" os incidentes.   "As Nações Unidas receberam garantias de que a segurança de seu pessoal, das instalações e das operações humanitárias será totalmente respeitada. Isso incluirá uma coordenação maior com as Forças Israelenses de Defesa" para as ditas operações, ela disse. "Sob estas condições, as operações suspensas ontem serão retomadas o mais cedo possível", ela comentou.   Fome   Apesar da suspensão temporária das entregas, a ONU continua a operar na Faixa de Gaza, onde quase 1 milhão de pessoas estão sem eletricidade e 750 mil estão sem água encanada. O Programa Mundial de Alimentos tem estocado quase 2 mil toneladas de alimentos em Gaza, o suficiente para alimentar até 130 mil pessoas até fevereiro, disse a porta-voz Emilia Cassell. Mas a agência precisa de mais 130 carregamentos de comida para assegurar o suprimento depois desse período.   A ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza deixou a maioria dos 1,5 milhão de habitantes com problemas para se alimentarem e a falta de segurança atrapalhou os esforços para a distribuição de ajuda, disse Nancy Ronan, porta-voz do Programa Mundial de Alimentação da ONU, nesta sexta-feira.   Os ataques israelenses fizeram com que pelo menos 80% da população tenha se tornado dependente de alimentos doados, disse Ronan. "A necessidade por comida é horrível", disse ela em Rafah, fronteira egípcia com a Faixa de Gaza. Desde o início dos conflitos, a ajuda humanitária chega a Gaza por Rafah.  

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