Israel é a maior ameaça para a paz no Oriente Médio, diz premiê turco

Em encontro com Sarkozy, premiê também discute adesão à EU e sanções ao Irã

07 de abril de 2010 | 11h13

PARIS - Israel representa atualmente a "principal ameaça para a paz" no Oriente Médio, disse nesta quarta-feira, 7, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, durante uma visita a Paris, em um momento de forte tensão nas relações turco-israelenses.

 

"Israel é a principal ameaça para a paz regional", disse Erdogan a jornalistas antes de participar de um almoço de trabalho com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, segundo a agência de notícias AFP.

 

"Se um país recorre à força de maneira desproporcional, na Palestina, em Gaza, (e) usa bombas de fósforo, não vamos dizer 'parabéns'. Vamos lhe perguntar por que age dessa maneira", disse o chefe do governo turco.

 

"Houve um ataque que deixou 1.500 mortos (a ofensiva israelense contra Gaza no final de 2008 e início de 2009) e os motivos apresentados são falsos", completou.

 

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu condenou de imediato os "ataques" ditos pela Turquia, durante uma conferência de imprensa em Jerusalém.

 

"Nos interessa manter boas relações com a Turquia lamentamos que Erdogan decidiu atacar Israel o tempo todo", declarou.

 

A Turquia tem sido tradicionalmente o principal aliado de Israel no mundo muçulmano, mas as relações entre os países se deterioraram desde a guerra em Gaza. Entretanto, apesar das tensões, os dois países têm mantido uma estreita relação em temas como cooperação militar.

 

O primeiro-ministro turco, chefe do partido islâmico-conservador AKP, se encontra em Paris para conseguir apoio para a adesão de seu país na União Europeia, uma ideia da qual o presidente francês Nicolas Sarkozy tem se mostrado oposto.

 

"Não vamos perder a esperança", indicou Erdogan antes do encontro entre os dois chefes de estado. "Creio que Sarkozy poderia revisar sua postura."

O chefe do governo turco enumerou os argumentos a favor da adesão, incluindo o papel que pode desempenhar como ponte entre Ocidente e o mundo muçulmano, e insistiu no nível de avanço das reformas alcançadas em seu país.

 

"A Turquia cumpre muitos dos critérios (de adesão) melhor que alguns dos 27 estados membros (da UE), desde os critérios políticos (chamados de Copenhague) até os critérios econômicos de Maastricht", assinalou.

 

Apesar de buscar o ingresso do país há anos, a Turquia não pode começar as negociações de adesão até 2005. O processo tem tropeçado com frequência na hostilidade de certos países, e em obstáculos concretos, como a questão envolvendo o Chipre.

 

França e Alemanha propuseram à Turquia ser sócia privilegiada em lugar de membro.

 

Os dois dirigentes deviam abordar na reunião de hoje outro tema em desacordo: as sanções contra o Irã, suspeito de desenvolver um programa nuclear para fins militares.

 

Turquia - atualmente membro do Conselho de Segurança da ONU - se opõe a essas sanções, enquanto que a França e as outras potências ocidentais buscam impor uma terceira rodada de sanções contra Teerã.

 

"Até o momento, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tem falado de probabilidades e não de certezas" sobre os objetivos militares do programa iraniano, indicou Erdogan. "Não é possível acusar um país baseando-se em probabilidades", acrescentou.

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