Israel e Autoridade Palestina retomam contatos diplomáticos

Conversas acontecem em meio a protestos palestinos pela construçãode assentamentos judaicos na Cisjordânia

Efe,

18 de março de 2008 | 06h33

Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP) retomaram na noite desta segunda-feira, 17, os contatos diplomáticos para alcançar um acordo de paz, em meio a protestos palestinos pela construção em vários assentamentos judaicos na Cisjordânia. Os contatos, dos quais participaram a ministra de Assuntos Exteriores israelense, Tzipi Livni, e o chefe dos negociadores palestinos, Ahmed Qorei, tinham sido qualificados pela ANP de "não oficiais", uma terminologia que não parece ter qualquer significado prático. "Rejeitamos qualquer construção, tanto a de um só quarto como a de um só tijolo em qualquer dos assentamentos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental", afirma Qorei, segundo o jornal Ha'aretz. O Governo israelense informou há dez dias que construirá 750 novas casas em colônias da Cisjordânia próximas a Jerusalém, entre elas a de Giv'at Ze'ev, o que representou um forte golpe para a ANP, já que o Mapa de Caminho reivindica explicitamente o fim de construções nos territórios ocupados. O Mapa de Caminho é o plano de paz elaborado em 2003 pelo Quarteto de Madri - EUA, Rússia, União Européia e ONU - e que foi revitalizado na Conferência de Annapolis no final de novembro. Sobre as acusações de violar esse plano, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, manifestou que "o fim do terrorismo também faz parte do Mapa de Caminho" e que a "urgência" em interromper a construção nos assentamentos "não pode ser comparada" com a de pôr fim aos ataques palestinos. A reunião desta segunda-feira foi a primeira oficial entre Livni e Qorei em duas semanas, quando a ANP suspendeu as conversas de paz em resposta a uma sangrenta ofensiva israelense em Gaza, que deixou 127 mortos, a metade civis, e cerca de 30 crianças. Segundo fontes governamentais israelenses citadas pela imprensa, Livni e Qorei se reuniram há dez dias de forma extra-oficial e em segredo. Os Governos palestino e israelense se vêem fortemente pressionados por suas sociedades para que suspendam as negociações em resposta à construção nos assentamentos, no primeiro caso, e pela continuação dos ataques desde a Faixa de Gaza, no segundo. O negociador palestino Saeb Erekat disse no domingo que espera que os Estados Unidos pressionem Israel para superar este obstáculo, embora em nenhum momento tenha falado em pôr fim ao diálogo. A ministra israelense de Exteriores assegurou que "o terrorismo não pode ser uma desculpa para romper as negociações", ao responder a uma moção de censura apresentada pela oposição nacionalista.

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