Abir Sultan/AP
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Israel e EUA discutem linha-limite para Irã, diz premiê

Para Benjamin Netanyahu, uma fronteira clara pode evitar a necessidade de uma ação militar

Reuters

10 de setembro de 2012 | 14h44

TEl-AVIV - Israel e Estados Unidos discutem a criação de uma "linha vermelha" para o programa nuclear do Irã, disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. "Estamos discutindo isso agora mesmo com os Estados Unidos", afirmou, em uma entrevista ao canal CBC do Canadá, transmitida na noite de domingo.

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Na entrevista, dois dias depois do Canadá suspender as relações diplomáticas com Teerã por causa do programa nuclear, Netanyahu novamente sinalizou que uma fronteira clara - que ele ainda tem de definir publicamente - pode evitar a necessidade de uma ação militar. Apelos recentes de Netanyahu para que as potências mundiais definam uma "linha vermelha clara", mostrando que eles estão determinados a deter as buscas no setor nuclear por parte do Irã sugeriu uma crescente impaciência com os Estados Unidos, principal aliado de Israel.

Washington, que resistiu no passado à ideia de estabelecer linhas vermelhas para o Irã, vem pressionando o líder israelense para dar à diplomacia e às sanções impostas à República Islâmica mais tempo para funcionar e conter o programa nuclear do Irã de forma pacífica.

O aumento da retórica israelense tem alimentado especulações de que Israel poderia atacar o Irã antes das eleições norte-americanas em novembro, acreditando que o presidente Barack Obama lhe daria ajuda militar e não correria o risco de alienar os eleitores pró-israelenses. Mas Netanyahu enfrenta oposição a qualquer ataque sozinho de chefes de segurança de Israel e de seu presidente popular, Shimon Peres.

As pesquisas de opinião mostram que a maioria dos israelenses não quer que seus militares ataquem o Irã sem o apoio dos EUA. "Eu não acho que eles (Irã) vejam uma clara linha vermelha, e eu acho que quanto mais cedo se estabelecer uma, maiores as chances de não haver a necessidade de outros tipos de ação", disse Netanyahu, parecendo se referir a medidas militares.

"Se o Irã visse isso, há uma chance, não vou dizer que é garantida, mas há uma chance de que poderá fazer uma pausa antes de cruzar a linha."

Israel e o Ocidente acreditam que o Irã está trabalhando de olho na capacidade de desenvolver armas nucleares. Israel diz que um Irã com armas nucleares seria uma ameaça a sua existência. A República Islâmica alega que seu programa nuclear é para fins energéticos pacíficos.

Um alto funcionário do governo israelense, que falou sob condição de anonimato, disse que as negociações estavam sendo realizadas com a "administração norte-americana" sobre as linhas vermelhas. Ele se recusou a dar detalhes.

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