Israel e Hamas rejeitam resolução da ONU pedindo cessar-fogo

Confrontos entre Exército e militantes do Hamas continuam no 14º dia; premiê diz que medida é impraticável

Agências internacionais,

09 de janeiro de 2009 | 09h32

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, rejeitou nesta sexta-feira, 9, a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) pedindo por um cessar-fogo em Gaza. Segundo ele, a medida é impossível de ser praticada e que o Exército continuará a operação para defender os israelenses. O Hamas também não aceitou o documento, elaborado pelo Reino Unido em colaboração com a França e os países árabes, embora o veja como prova do fracasso da ofensiva militar israelense em Gaza.   Veja também: Cruz Vermelha suspende temporariamente ação em Gaza Brasil despacha ajuda; Amorim visitará Oriente Médio  'Crianças crescem em bunkers', diz brasileiro em Israel Embaixador brasileiro no Egito fala da negociação entre Hamas e Egito  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques        De acordo com fontes militares e testemunhas, Israel realizou pesados bombardeios em Gaza e novos disparos de foguetes foram feitos pelo Hamas nas horas seguintes à aprovação do texto da resolução pelo Conselho. "O lançamento de foguetes nesta manhã mostra apenas que a decisão da ONU é impraticável e que não será aderida pelas organizações palestinas", afirmou Olmert em comunicado. Um porta-voz do Hamas disse que o grupo "não está interessado" na resolução de cessar-fogo, pois não foi consultado e a resolução não atende suas demandas principais, entre elas a abertura das fronteiras de Gaza.   Um ataque aéreo matou dois militantes do Hamas e outro homem não identificado. Outro ataque, em um edifício, deixou pelo menos sete mortos, incluindo uma criança, segundo funcionários do Hamas. Até o meio da manhã, 13 palestinos haviam sido mortos. Com as mortes desta sexta-feira, o número de palestinos mortos subiu para 380 nas quase duas semanas de ataques, iniciadas no dia 27 de dezembro. Pelo menos a metade das vítimas fatais são civis, segundo autoridades de saúde de Gaza. Até agora, 13 israelenses morreram.   Israel lançou a ofensiva com o objetivo declarado de interromper o lançamento de foguetes do Hamas em seu território. A Faixa de Gaza é controlada pelo Hamas, grupo militante islâmico que não reconhece Israel. O Hamas diz que não aceita qualquer acordo que não preveja a abertura das fronteiras da Faixa de Gaza. Israel dificilmente concordará com a demanda, pois isso fortaleceria o Hamas, que tomou controle de Gaza à força, expulsando o partido laico Fatah, do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, em junho de 2007.   O conflito deixou centenas de milhares de palestinos que vivem em Gaza em um estado de desespero pela falta de alimentos, água, combustível e auxílio médico. A situação deve piorar ainda mais, por causa dos ataques contra funcionários encarregados da ajuda humanitária.   A campanha militar israelense em Gaza, onde centenas de palestinos - grande parte civis e crianças - foram mortos, tem sólido apoio entre os eleitores israelenses, que vão às urnas em um mês. A maioria apoia o objetivo declarado de Olmert de encerrar anos de lançamentos de foguetes pelo Hamas contra cidades israelenses. Esses ataques mataram 22 pessoas desde 2000.    

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