Israel e Hamas retomam ataques e CS termina sem acordo

Retomada acontece após três horas de trégua para o ingresso de alimentos e combustíves na Faixa de Gaza

Associated Press,

08 de janeiro de 2009 | 04h39

Israel voltou a bombardear o sul da Faixa de Gaza e o Hamas retomou os lançamentos de foguetes após uma pausa de três horas, que permitiu o ingresso de alimentos e combustíveis para socorrer os civis palestinos. Apesar do intenso enfrentamento, as negociações da proposta de trégua da França e do Egito continuam. Veja também:George Bush volta a pedir paz em GazaIsrael e Hamas se reunirão no Egito na quinta, diz embaixadorIsrael ordena retirada de civis e bombardeia o sul de GazaGabinete israelense aprova ampliação de ofensiva em GazaAtaques mataram 205 crianças, dizem palestinos Após trégua humanitária, violência retorna a GazaFrança provoca confusão ao anunciar cessar-fogo Trégua por 3h é piada, diz ex-relator da ONU brasileiro Especial traz mapa com principais alvos em Gaza Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza Brasileiros que vivem em Gaza não querem sair Brasileiros que vivem na região falam sobre o conflito Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques      Após o fracasso do Conselho de Segurança da ONU para chegar a um acordo de cessar-fogo, o embaixador do Egito na Organização, Maged Abdelaziz, disse que Israel, Hamas e a Autoridade Palestina aceitaram enviar delegações para o Cairo para se reunirem separadamente com autoridades egípcias nesta quinta-feira. Abdelaziz disse que "todo mundo concordou em enviar uma delegação técnica" com a finalidade de conversar sobre a proposta franco egípcia para um cessar-fogo na Faixa de Gaza, cujos termos ainda não são totalmente conhecidos. "O mais importante é que alguma coisa comece, tem que haver um movimento positivo. E o movimento positivo é o cessar-fogo", disse o embaixador, se referindo à ONU e à Faixa de Gaza. Israel lançou nesta quarta-feira, 7, incursões aéreas que mataram 29 palestinos após atirar panfletos na fronteira de Gaza e Egito, pedindo para os moradores deixarem a área "porque o Hamas utilizava suas casas para esconder e contrabandear armas militares". Cerca de 800 famílias deixaram o local. O Exército israelense suspendeu suas operações por três horas na quarta-feira para permitir a entrada de 80 caminhões de alimentos e remédios na Faixa de Gaza com o objetivo de aliviar o sofrimento da população civil. Combustível também foi enviado. O porta-voz militar israelense, Peter Lerner, afirmou que Israel pretende realizar recessos similares nos próximos dias. A pausa permitiu ainda a retirada de cadáveres pelas unidades médicas.  Imediatamente após vencer a pausa, Israel retomou os bombardeios e Hamas voltou a lanças foguetes, apesar das críticas internacionais pela morte de civis e outras sequelas do conflito. Conselho de Segurança O presidente da Assembléia Geral da ONU, o nicaragüense Miguel D'Decoto, convocou para esta quinta-feira, 8, uma reunião de emergência no órgão, dada a "inoperância" do Conselho de Segurança (CS) em deter a ofensiva israelense em Gaza. Na noite desta quarta-feira, o Conselho suspendeu a reunião que realizava sobre o conflito, mas afirmou que mantém abertas as negociações para tentar alcançar um acordo. "A ONU não pode ser testemunha muda do massacre que está acontecendo em Gaza e deve levantar sua voz para que haja um cessar-fogo imediato e a população civil palestina seja adequadamente protegida", anunciou à Agência Efe o porta-voz de D'Decoto, Enrique Yeves.  No Conselho de Segurança, os 15 membros não conseguiram chegar a um consenso após duas horas de reunião sobre uma declaração presidencial de apoio à trégua proposta pelo Egito e um projeto de resolução patrocinado pela Líbia em nome da Liga Árabe. "Hoje, não há um apoio unânime a nenhum dos dois textos e, para continuar unidos, decidimos seguir as conversas e as negociações", disse o presidente de turno do organismo, o embaixador francês Jean Maurice Ripert, na saída da reunião. Pressão americana O secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmou nesta quarta que está pressionando Israel para a aprovação do cessar-fogo. Falando a repórteres nas Nações Unidas, Rice disse apoiar a iniciativa do presidente egípcio Hosni Mubarak e que discutia com Israel a importância "de levar a iniciativa adiante."  "Acreditamos que um cessar-fogo é necessário, mas tem de ser um acordo que não possibilite o retorno para o status quo anterior", afirmou chefe da diplomacia dos Estados Unidos, apoiando uma exigência chave de Israel para trégua, que pede o desarmamento do grupo islâmico Hamas.  A Casa Branca pretende chegar a um acordo "sustentável, durável e sem limite de tempo" que inclua o fim dos lançamentos de foguetes, a abertura das passagens fronteiriças e uma solução aos túneis subterrâneos, assim como a recuperação do controle do território por parte da ANP.  "Estamos buscando um cessar-fogo que realmente dure. Acho que o pior que poderíamos ter é a continuidade deste ciclo sanguinário", ressaltou Rice. O operação israelense em Gaza, iniciada em 27 de dezembro, já matou mais de 700 palestinos e deixou outros 2,9 mil feridos.

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