Israel e palestinos aceitam retomar negociação direta

Israel e os palestinos aceitaram na sexta-feira o convite dos EUA e de outras potências para retomar em 2 de setembro suas negociações diretas, num modesto passo rumo à meta de criar, dentro de 12 meses, um Estado palestino que conviva em paz com seu vizinho.

ANDREW QUINN E DOUGLAS HAMILTON, REUTERS

20 de agosto de 2010 | 20h26

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, disse que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, vão se reunir no dia 1o com o presidente Barack Obama, antes de retomarem formalmente as negociações diretas no dia seguinte, na sede do Departamento de Estado, em Washington.

"Houve dificuldades no passado, haverá dificuldades adiante", disse Hillary em nota.

Ela acrescentou que o presidente do Egito, Hosni Mubarak, e o rei Abdullah, da Jordânia, foram convidados para o encontro, que marcará a primeira negociação direta entre palestinos e israelenses em 20 meses.

"Peço às partes que perseverem, que continuem avançando mesmo em meio a tempos difíceis, e que continuem trabalhando para alcançar uma paz justa e duradoura na região", disse a secretária.

O anúncio dela foi ecoado pelo chamado Quarteto de mediadores do Oriente Médio - EUA, Rússia, União Europeia e ONU -, que fez o seu próprio convite para as negociações e salientou que um acordo pode ser alcançado em um ano.

Netanyahu rapidamente aceitou a proposta, e disse que o acordo será difícil, mas não impossível. "Estamos chegando às negociações com o desejo genuíno de alcançar um acordo de paz entre os dois povos, que proteja os interesses nacionais de segurança de Israel", disse nota do gabinete dele.

Após se reunir em Ramallah, na Cisjordânia, a liderança palestina também anunciou que aceitaria retomar as negociações diretas.

Mas Saeb Erekat, o principal negociador palestino, alertou que o seu lado abandonará as negociações se Israel retomar a ampliação de assentamentos judaicos nos territórios ocupados. Uma moratória israelense de dez meses na construção dos assentamentos expira em 26 de setembro.

Os líderes palestinos disseram que o convite para o diálogo "contém os elementos necessários para propiciar um acordo de paz". "Isso pode ser feito em menos de um ano", disse Erekat. "O mais importante agora é ver que o governo israelense evita atividades colonizadoras, incursões, políticas de fato consumado."

RESSENTIMENTOS HISTÓRICOS

Os dois lados chegam ao processo após décadas de hostilidade, desconfiança mútua e de sucessivos esforços fracassados pela paz.

A declaração do Quarteto tinha como destinatários os palestinos, que exigiam garantias de paralisação dos assentamentos e de respeito às fronteiras de 1967, antes de Israel ocupar a Cisjordânia e outros territórios.

Já o convite de Hillary se dirigia a Netanyahu, concordando com sua exigência de que o diálogo ocorra "sem pré-condições", e evitando termos que o líder israelense considere que pode deixá-lo de mãos atadas.

O grupo islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza e se recusa a abandonar a violência contra Israel, disse que as negociações não ajudarão a causa palestina. O representante especial do governo Obama para o Oriente Médio, George Mitchell, disse que o Hamas não terá qualquer participação no diálogo.

Analistas dizem que o processo de paz do Oriente Médio, iniciado no começo da década de 1990, lançou as diretrizes para um acordo que seria aceitável para ambos os lados, e identificou as questões mais complicadas que restam por resolver. A maioria desses analistas acha, no entanto, que a tarefa pela frente é assombrosa.

Hillary disse que as discussões devem incluir questões relativas ao "status final", como as fronteiras do futuro Estado palestino, o destino dos assentamentos judaicos na Cisjordânia, o direito de retorno de refugiados palestinos a Israel e o controle de Jerusalém. Ela pediu a ambas as partes que evitem gestos provocadores.

"Conforme avançamos, é importante que as ações de todas as partes ajudem a promover nosso esforço, ao invés de atrapalhá-lo", afirmou Hillary.

Mitchell, que passou meses tentando convencer os dois lados a aceitarem o diálogo sem a sua mediação, afirmou que agora cabe a israelenses e palestinos o ônus de produzirem resultados. Mas ele afirmou que os Estados Unidos poderiam se oferecer para "aproximar as propostas" se for necessário.

(Reportagem adicional de Mohammed Assadi em Ramallah, Jeff Mason em Massachusetts, Luke Baker em Bruxelas, Joseph Nasr em Jerusalém)

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