Israel e palestinos duelam sobre reconhecimento da ONU

Representantes de Israel e dos palestinos debateram na terça-feira a proposta de levar a votação na Assembleia Geral da ONU, em setembro, o reconhecimento do Estado palestino, o que segundo Israel seria uma manobra para evitar negociações de paz diretas.

LOUIS CHARBONNEAU, REUTERS

26 de julho de 2011 | 18h05

Falando numa reunião ordinária do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, o observador palestino, Riyad Mansour, disse que o eventual reconhecimento da entidade, ao invés de afetar o processo de paz, "ajuda a tornar mais inevitável uma solução com dois Estados."

Mansour não detalhou os termos da proposta que sua delegação pretende apresentar durante a reunião anual dos 193 países da Assembleia Geral, em setembro.

Diplomatas ocidentais dizem que os palestinos ainda não decidiram se solicitarão a adesão à ONU como um Estado soberano, ou se tentarão aprovar uma resolução de caráter não-vinculante reconhecendo o Estado palestino, mas sem filiação.

Israel, como seu maior aliado, os Estados Unidos, se opõe à ideia de uma filiação imediata dos palestinos à ONU, pois ambos dizem que isso deveria ser a consequência de um processo de paz negociado. Washington já deixou claro que poderia usar seu poder de veto no Conselho de Segurança contra a eventual adesão.

Mansour afirmou posteriormente a jornalistas que a filiação à ONU é o "objetivo máximo", mas não deu detalhes sobre quando espera que isso ocorra.

Na sua vez de falar, o embaixador de Israel, Ron Prosor, deixou claro que o Estado judeu mantém sua resoluta oposição à adesão palestina à ONU.

"Agora é hora de a comunidade internacional dizer à liderança palestina o que ela se recusa a dizer ao seu próprio povo: que não há atalhos para a criação de um Estado", afirmou Prosor aos 15 países do Conselho. "Não se pode atalhar o único caminho para a paz."

"Os palestinos terão de fazer concessões e escolhas difíceis", prosseguiu. "Eles terão de saltar do vagão do unilateralismo e apoiar o trabalho árduo da construção da paz (numa negociação) direta."

Os palestinos, que têm status de "observadores" na ONU, haviam prometido inicialmente buscar o reconhecimento da Assembleia Geral à sua soberania na Faixa de Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

A ideia ganhou impulso diante da falta de progressos no processo de paz do Oriente Médio. Em maio, a Liga Árabe deu seu aval formal à proposta.

Mas, diante da oposição de Israel e de várias grandes potências, os palestinos sinalizaram depois que poderiam optar, em vez da filiação, pela promoção a "Estado não-membro", o que exige apenas a aprovação da Assembleia Geral.

Tudo o que sabemos sobre:
ORMEDPALESTINOSONU*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.