Israel estuda construir usina nuclear no deserto do Neguev

Investimento será de US$ 2 bilhões e obras podem ter a supervisão da comunidade internacional

EFE,

04 de agosto de 2007 | 14h43

O ministro de Infra-estruturas israelense, o trabalhista Binyamin Ben-Eliezer, anunciou sua intenção de construir uma usina nuclear no deserto do Neguev, divulgou neste sábado, 4, a rádio militar israelense. Ben-Eliezer disse em um encontro na noite de sexta-feira,3, com engenheiros na localidade de Hertzlia, ao norte de Tel Aviv, que a construção da usina nuclear, que levaria oito anos, conta com o apoio do primeiro-ministro, Ehud Olmert. O escritório de Olmert e o Ministério das Infra-estruturas criaram uma comissão conjunta para estudar a iniciativa, tida pelo ministro como uma "decisão histórica", segundo a emissora do Exército. O jornal israelense "Yedioth Ahronoth" tinha divulgado o projeto na quarta-feira,1º, avaliando-o em US$ 2 bilhões. Segundo o jornal, a idéia conta com o apoio de vários altos dirigentes israelenses devido à dependência do país de fontes externas de hidrocarbonetos, à alta poluição do ar pelas centrais elétricas e à redução da capacidade de fornecimento da companhia elétrica nacional. Caso a idéia seja aprovada, as obras seriam supervisionadas pela comunidade internacional para evitar as suspeitas de que Israel estaria produzindo energia nuclear para fins militares. Apesar de nenhum governo israelense ter admitido que possui armas atômicas, os analistas militares calculam que Israel tenha nelas seu principal elemento de defesa, com cerca de 200 ou 300 ogivas nucleares. Em 1981, a imprensa internacional divulgou que Israel já era uma potência nuclear, com um arsenal de 200 unidades, capacidade que veio adquirindo desde a década de 1950, com ajuda da França e da Alemanha, seu principal aliado na Europa. Em 1986, o técnico do reator nuclear de Dimona (também no Neguev), Mordechai Vanunu, revelou os segredos guardados por Israel sobre seu potencial atômico e entregou fotos da central ao jornal britânico "The Sunday Times". Por essa revelação e outras acusações, Vanunu passou 18 anos na prisão. Recentemente foi novamente condenado por ter falado com jornalistas, de que tinha sido proibido desde que saiu da prisão,há três anos, e foi impedido de deixar o país.

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