Israel estuda pedir desculpas à Turquia por ataque a navio

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, propôs na sexta-feira fazer um pedido suavizado de desculpas à Turquia pela morte de nove de seus cidadãos a bordo de um navio de ativistas pró-palestinos que tentou desafiar o bloqueio à Faixa de Gaza.

DAN WILLIAMS, REUTERS

29 de julho de 2011 | 13h31

A proposta pública de Barak parece ter por objetivo sondar a profundidade do impasse existente há 13 meses entre Israel e Ancara, além de convencer mais membros de linha-dura da coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, para os quais cabe à Turquia a iniciativa de buscar uma reconciliação entre os dois países.

"Estamos dispostos a considerar a possibilidade de pedir desculpas pelos problemas que surgiram durante a operação no navio Marmara, se houve problemas", disse Barak em Washington, onde discutiu a importância de os dois países, ambos aliados dos EUA, repararem seus laços.

"Não gosto disso, mas é uma opção que precisa existir", disse ele em comunicado.

A Turquia, que era um raro aliado muçulmano do Estado judaico, vem insistindo que Israel deve pedir desculpas por ter invadido o navio Mavi Marmara no alto mar do Mediterrâneo, que indenize as pessoas que foram feridas pelos marines israelenses e os familiares dos mortos, e que ponha fim ao bloqueio ao território palestino.

Israel diz que o bloqueio naval impede o contrabando de armas ao grupo islâmico Hamas, que comanda a Faixa de Gaza, e que essa estratégia ganhará apoio com as conclusões do inquérito realizado pela ONU, que devem ser divulgadas em agosto.

Mas Barak disse que o relatório encomendado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e escrito pelo ex-primeiro-ministro da Nova Zelândia Geoffrey Palmer também vai incluir "elementos que são muito problemáticos para Israel".

Os marines abriram fogo durante enfrentamentos acirrados a bordo do Mavi Marmara. As forças armadas israelenses disseram mais tarde que foram surpreendidas pelo nível de violência que os comandos israelenses encontraram por parte dos passageiros.

Outras autoridades israelenses disseram que o relatório de Palmer vai criticar algumas das ações da Marinha e pode alimentar tentativas de ações judiciais movidas no exterior.

Um acordo de reconciliação com a Turquia, disse Barak, "impediria a abertura de ações judiciais em todo o mundo contra nossos oficiais e soldados e reduziria as censuras a Israel".

"Os melhores advogados em Israel recomendam que cheguemos a um entendimento com a Turquia", disse Barak. "Não estamos pedindo desculpas por termos usado força, nem questionando a legalidade do bloqueio."

Os palestinos e aqueles que os apoiam qualificam o bloqueio como ilegal e dizem que prejudica a economia da Faixa de Gaza, que enfrenta grandes dificuldades.

Netanyahu, que ainda não tomou uma decisão final sobre aceitar ou não os termos apresentados pela Turquia, até agora manifestou apenas "pesar" e propôs a criação de um fundo para os familiares dos mortos e os feridos.

Seus assessores tinham dito anteriormente que um pedido formal de desculpas e o pagamento de indenizações equivaleriam a Israel reconhecer sua culpa por ações que o país vê como tendo sido realizadas em favor de sua autodefesa.

Em coletiva de imprensa dada em 25 de julho, o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, disse que é vital para a região que Israel e Turquia tenham boas relações.

A proposta de Barak parece ter um precedente no pedido de desculpas moderado que Israel fez pelo fato de seus jatos terem sobrevoado território turco a caminho de um ataque aéreo sigiloso sobre a Síria em 2007.

"Se de fato aviões israelenses penetraram no espaço aéreo turco, não houve qualquer intenção de questionar ou solapar a soberania turca, que respeitamos", disse o então primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, em declarações ao gabinete israelense que foram transmitidas pela televisão.

(Reportagem adicional de Phil Stewart em Washington e Ari Rabinovich em Jerusalém)

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