Israel falhou ao planejar interceptação naval, diz imprensa

Os militares israelenses não se prepararam adequadamente para abordar navios que se dirigem à Faixa de Gaza, concluiu uma comissão militar de inquérito, segundo a imprensa de Israel.

ORI LEWIS, REUTERS

12 de julho de 2010 | 13h03

Nove ativistas turcos foram mortos por soldados de Israel em 31 de maio a bordo do navio Mavi Marmara, que fazia parte de uma frota naval que tentava furar o bloqueio israelense a Gaza para levar mantimentos à população palestina desse território litorâneo.

O resultado da investigação militar, dirigida pelo general da reserva Giora Eiland, será divulgado ainda na segunda-feira, segundo a imprensa local.

Separadamente, uma comissão civil também está investigando o incidente, que provocou indignação internacional e abalou as relações de Israel com a Turquia, país que já foi o principal aliado islâmico do Estado judeu.

Israel diz que seus soldados agiram em defesa própria, pois foram agredidos com facas e canos ao descerem de helicóptero no convés da embarcação na costa de Gaza. Os militares disseram que não esperavam uma resistência tão feroz dos ativistas.

Citando trechos do relatório, o jornal Yedioth Ahronoth disse que a comissão militar apontou uma "preparação falha (no serviço de inteligência) antes do desembarque." Além disso, as "diretrizes de batalha" passadas aos soldados também estavam equivocadas.

Vários jornais que tiveram acesso ao relatório disseram que a comissão de Eiland não irá pedir o afastamento de nenhum comandante militar. Mas as conclusões geraram especulações de que alguns oficiais envolvidos terão suas carreiras prejudicadas.

Israel diz que o bloqueio à Faixa de Gaza é necessário para evitar o envio de armas ao grupo islâmico Hamas, que controla o território. Mas, por causa da pressão ocidental após o incidente, o governo atenuou o embargo em junho, permitindo agora que o território receba muitos produtos com finalidades civis que antes estavam proibidos. O bloqueio naval foi mantido.

O relatório da comissão militar é o primeiro sobre o caso. A comissão civil, liderada pelo jurista Jacob Turkel, ex-presidente da Suprema Corte de Israel, conta com dois observadores estrangeiros, mas seu mandato é limitado - sem abranger, por exemplo, as motivações políticas para a abordagem dos navios, embora Turkel pretenda convocar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para depor.

O principal foco da investigação civil é se o bloqueio comercial ou a abordagem militar aos navios violaram o direito internacional A comissão analisará também as atitudes os organizadores e participantes da frota.

A Turquia acusou Israel de cometer "terrorismo de Estado", retirou seu embaixador de Tel Aviv e cancelou exercícios militares conjuntos com Israel.

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