Israel faz acordo para troca de prisioneiros com o Hezbollah

Milícia deve libertar 2 soldados israelenses seqüestrados em 2006 em troca de 5 membros presos em Israel

Efe,

26 de maio de 2008 | 15h34

O governo de Israel chegou a um acordo para a troca de prisioneiros com o grupo libanês xiita Hezbollah, informaram fontes israelenses. Segundo o acordo, a milícia libertaria Ehud Goldwasser e Eldad Regev, os soldados de Israel seqüestrados em 2006, em troca da libertação de Samir Kuntar e outros quatro membros do Hezbollah presos em Israel, noticiou o jornal israelense Haaretz em sua versão digital nesta segunda-feira, 26.  Veja também:Parlamento libanês elege novo presidenteMichel Suleiman traz consenso às divisões libanesas Regev e Goldwasser foram capturados por milicianos do Hezbollah em 12 julho de 2006, em um ponto da fronteira entre o Líbano e Israel. O seqüestro desencadeou um conflito de 34 dias no sul o Líbano, entre o Exército israelense e a milícia xiita. O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, já tinha sugerido nesta segunda que em breve poderia ocorrer uma troca de prisioneiros e que Kuntar, preso por assassinato e espionagem, ficaria livre novamente em pouco tempo. "Samir Kuntar e seus irmãos estarão entre vocês em breve", disse Nasrallah em um comício realizado em Beirute. O acordo prevê ainda a devolução dos restos mortais de dez libaneses ao Hezbollah, disseram as fontes. Ninguém sabe se os dois soldados israelenses estão vivos, já que, aparentemente, foram capturados gravemente feridos. Até o momento também não há informações sobre quando e onde a troca será efetuada, apesar de Nasrallah ter dito que algo positivo acontecerá nos próximos 30 dias. Advertência Ainda nesta segunda, Nasrallah advertiu o governo local sobre o uso de "armas do Estado" contra seu grupo em discurso feito por ocasião do oitavo aniversário da retirada israelense do sul do Líbano. "Não se pode usar as armas do Estado para ajustar contas ou para vingar-se da resistência", completou Nasrallah.  O dirigente do Hezbollah fez a declaração por meio de videoconferência em Beirute, em evento que contou com a presença de milhares de seguidores do grupo xiita. Além disso, mostrou seu apoio ao Acordo de Doha, que pôs fim à crise libanesa de "não usar as armas com fins políticos." "Apóio vigorosamente o que foi acordado em Doha de que as armas da resistência (Hezbollah) não serão empregadas no interior para conseguir lucro políticos", assegurou o líder xiita apoiado por seus seguidores. Além disso, elogiou novo presidente do Líbano Michel Suleiman, ao destacar que sua eleição "renovou as esperanças nos libaneses do início de uma nova etapa. Seu discurso revela um espírito de reconciliação e consenso."  Por outro lado, Nasrallah enfatizou que seu grupo nunca teve ambições de poder, ao lembrar que não pediu "nenhuma vitória política. A oposição (liderada pelo Hezbollah) não colocou novas exigências nas negociações de Doha."  Em relação ao governo de União Nacional que será negociado pela maioria parlamentar e pela oposição, o clérigo disse que seu grupo "ajudará com toda confiança e veracidade para que funcione". Nesse contexto, disse que a oposição deve estar bem representada nesse executivo. Ele também afirmou que a resistência do Hezbollah significou "um modelo e uma estratégia para o mundo árabe em duas áreas: a libertação para terminar com a ocupação israelense, e a estratégia da defesa da pátria perante as ameaças de Israel." Resistência Nasrallah lembrou que a "retirada israelense do sul do Líbano foi a primeira vitória em relação às ambições de Israel de criar um estado que se estendesse entre os rios Nilo (no Egito) e Eufrates (no Iraque)." Sobre isso, o líder do Nasrallah assegurou que a única opção para se libertar da ocupação estrangeira é a resistência armada, já que - segundo ele - com os acordos de paz não foi possível. Nasrallah se referiu ao Iraque, ao defender que "agora começaram a ser reveladas as verdadeiras intenções dos Estados Unidos no Iraque." Em sua opinião, com a ocupação do Iraque, Washington "impôs aos dirigentes políticos uma grande prova, ao pressioná-los para que legalizassem no governo e no Parlamento uma presença eterna dos EUA no Iraque." Nesse sentido, pediu "ao povo iraquiano e aos seus dirigentes políticos e religiosos para adotarem uma postura histórica que impeça a queda do Iraque nas mãos dos EUA."  (Matéria atualizada às 16h20)

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