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Israel faz avanço final antes de possível trégua

As forças israelenses aprofundaram na quinta-feira sua incursão na Cidade de Gaza, no que pode ser o último avanço contra os militantes do grupo islâmico Hamas antes de um possível cessar-fogo na guerra iniciada há 20 dias. Após estudar os termos propostos pelo Hamas para suspender o conflito, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, anunciou que a chanceler Tzipi Livni irá a Washington procurar garantias quanto a uma das principais exigências israelenses -- de que o Hamas não tenha como contrabandear armas pelo Egito. Mas Olmert não se manifestou quanto às condições apresentadas pelo Hamas por intermédio do Egito. Alguns diplomatas anteviram que Israel relutaria quanto a alguns dos termos. O Hamas propôs um cessar-fogo de um ano, renovável, com a retirada de todas as forças israelenses dentro da 5 a 7 dias, e a abertura imediata de todos os acessos a Gaza, com apoio de garantias internacionais de que as fronteiras permanecerão abertas. Antes da divulgação da proposta do Hamas, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse em Jerusalém que o governo israelense estava prestes a tomar "uma importante decisão a respeito de um cessar-fogo". Mais tarde, afirmou que isso poderia levar "mais alguns dias". Coincidindo com as maiores esperanças de uma trégua, o som dos combates amainou após um dos dias mais intensos da ofensiva israelense. O número de vítimas na Faixa de Gaza em 20 dias de confronto subiu para pelo menos 1.105 mortos, com cerca de 5.100 feridos, segundo o ministério local da Saúde, administrado pelo Hamas. Uma ONG palestina disse que cerca de 700 dos mortos são civis. Em Israel, os mortos foram 10 soldados e 3 civis, atingidos por foguetes do Hamas. Em Damasco, o líder exilado do Hamas, Khaled Meshaal, virtual alvo de assassinato por Israel, reiterou as exigências do seu grupo: "Primeiro, a agressão deve parar; segundo, as forças israelenses devem abandonar Gaza imediatamente, é claro; terceiro, o cerco deve ser suspenso; e quarto, queremos todos os pontos de passagem reabertos, os primeiros dos quais é Rafah (Egito)." MINISTRO MORTO Em Gaza, o ministro do Interior do governo do Hamas, Saeed Seyyam, foi morto por um bombardeio aéreo israelense que atingiu a casa onde ele vivia, no campo de refugiados de Jabalya, com seu filho, seu irmão e meia dúzia de outras pessoas. Seyyam era responsável por um contingente de 13 mil policiais e agentes do Hamas. Pelo menos 15 palestinos foram mortos em ataques na Cidade de Gaza durante o dia, segundo fontes médicas. Disparos israelenses também atingiram uma instalação da ONU, um hospital e a sucursal de uma TV. Numa base israelense próxima ao norte de Gaza, um jovem sargento israelense disse a correspondentes ocidentais que os combatentes do Hamas são "camponeses com pistolas". "Eles nem miram quando disparam. Continuamos dizendo que o Hamas era uma organização terrorista forte, mas foi mais fácil do que pensávamos." Um comandante afirmou: "Sei que no final o Hamas vai dizer que venceu (...). Será que vão depor suas armas para sempre? Certamente não, mas acho que aprenderam uma lição com esta guerra". Israel exige que o Hamas pare de disparar foguetes contra cidades israelenses e que fique incapacitado de contrabandear armas através de túneis sob a fronteira Gaza-Egito. Os Estados Unidos disseram a Israel que estão preparados para oferecer as garantias de segurança exigidas, o que torna a trégua mais viável. "Os Estados Unidos estariam preparados para assistir na solução da questão do contrabando", disse a secretária de Estado Condoleezza Rice a Olmert, segundo relato do governo israelense. Cerca de 25 foguetes disparados da Faixa de Gaza caíram na quinta-feira no sul de Israel, ferindo seis pessoas, segundo a polícia. ONU E HOSPITAL ALVEJADOS A UNRWA (agência da ONU que presta assistência humanitária aos palestinos) disse que suas instalações, onde havia cerca de 700 refugiados de guerra, foi atingida duas vezes, e que três funcionários ficaram feridos. Uma intensa fumaça se erguia do seu depósito de combustíveis e alimentos. Ban Ki-Moon qualificou o incidente de "ultraje". Olmert pediu desculpas, mas disse que o ataque foi motivado por disparos feitos a partir da instalação da ONU. Em Genebra, um porta-voz da Cruz Vermelha Internacional disse que o hospital Al Quds foi atingido por disparos israelenses -- de artilharia ou aéreos. Não há relatos de feridos no hospital, mas áreas administrativas foram incendiadas, e dezenas de pacientes foram em pânico para o térreo, em busca de abrigo. No centro de Gaza, um foguete atingiu o edifício Al Shurouq, onde funcionam as sucursais de Reuters e de vários outros veículos de comunicação. A TV de Abu Dhabi (Emirados Árabes) disse acreditar que dois de seus jornalistas foram deliberadamente alvejados por um avião israelense quando registravam imagens a partir da sucursal. (Reportagem de Nadim Ladki, Adam Entous e Lou Charbonneau, em Jerusalém, e Redação no Cairo)

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