Israel fecha organizações de caridade ligadas ao Hamas

Soldados fazem buscas em escritórios na Cisjordânia; para grupo islâmico, ação é 'crime contra a humanidade'

Agências internacionais,

07 de julho de 2008 | 12h17

O Exército israelense fechou nesta segunda-feira, 7, os escritórios de quatro ONGs palestinas na cidade de Nablus, na Cisjordânia, afirmando que elas pertencem à infra-estrutura do movimento islamita Hamas, informaram fontes humanitárias e de segurança palestinas.   Os militares confiscaram computadores e dinheiro das quatro ONGs: a Caridade dos Órfãos, o Clube Solidário de Caridade, a Escola Islâmica para Meninas de Rafedia e o Dispensário Médico de At-Tadamun, situado na mesquita de Rawda.   De acordo com autoridades palestinas locais, as instalações foram fechadas e saqueadas. Segundo a BBC, os escritórios da organização Tadamun foram fechados e os soldados colocaram cartazes afirmando que "os escritórios foram fechados, pois eram parte da infra-estrutura terrorista".   As organizações palestinas negam a acusação. O Hamas, por sua vez, afirmou que as organizações de caridade as quais apóia fornecem serviços sociais legítimos e não têm nenhuma relação com a sua luta armada contra Israel.   O diretor da At-Tadamun, o médico Hafiz Asder, declarou para a imprensa que todos os meios do dispensário foram destruídos pelos soldados, que levaram o dinheiro que havia na caixa registradora, cerca de US$ 5 mil.   As forças israelenses também entraram na noite de domingo na direção do Ministério de Doações em Nablus, afirmou a agência de notícias palestina independente Ma'an. O Exército israelense realizou operações semelhantes este ano em cidades como Kalkilia e Ramala, mas pensa em expandi-las para outras regiões da Cisjordânia, para acabar com as fontes de financiamento do Hamas neste território, assegura a edição desta segunda do jornal Haaretz.   Horas depois da operação, o escritório de informação do governo israelense anunciou em comunicado que o ministro da Defesa, Ehud Barak, assinou recentemente uma ordem para proibir, em Israel, 36 fundos internacionais, por estes "fazerem parte da rede de financiamento do Hamas".   A medida, "a maior e mais ampla" deste tipo já aprovada por Israel, ataca o financiamento de organizações de caridade que pertencem ao movimento islâmico e a "União do Bem", sua "organização guarda-chuva de fundações ao redor do mundo, principalmente na Europa e nos países do Golfo Pérsico", acrescenta.   "A ordem ilegaliza um grande número de organizações ativas no exterior responsáveis por arrecadar grande soma de dinheiro para as atividades do Hamas em Judéia, Samaria (Cisjordânia) e Gaza", assegura o governo israelense.   O porta-voz do Hamas Fawzi Barhum classificou a medida como "crime contra a humanidade", alegando que os centros que "servem a todos os setores da comunidade palestina, principalmente famílias pobres, órfãos e parentes de mártires da ocupação israelense". "A decisão é imoral" e faz parte de "um plano programado da ocupação israelense para arrancar pela raiz o Hamas de Gaza e da Cisjordânia", comentou Barhum.

Tudo o que sabemos sobre:
IsraelpalestinosHamas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.