Israel impõe sanções econômicas contra palestinos

Israel impôs sanções econômicas contra os palestinos nesta quinta-feira em retaliação por seus líderes terem assinado convenções internacionais, uma decisão que complica ainda mais os esforços dos Estados Unidos para evitar que as conversações de paz entrem em colapso antes do prazo final de 29 de abril.

CRIS, Reuters

10 de abril de 2014 | 19h26

Um funcionário israelense, que falou sob a condição de manter o anonimato, disse que o Estado judaico vai deduzir parcelas de dívida palestina da transferências de impostos que a Autoridade Palestina recebe rotineiramente e limitar os depósitos bancários do governo autônomo palestino em Israel.

Na quarta-feira, Israel disse que estava limitando seus contatos com as autoridades palestinas, justificando a decisão com o fato de o presidente palestino, Mahmoud Abbas, assinar convenções de direitos humanos da Organização das Nações Unidas na semana passada.

Israel considerou essa atitude uma tentativa por parte dos palestinos de assumir as formalidades de um Estado fora do quadro das negociações mediadas pelos Estados Unidos.

Abbas, por sua vez, acusou Israel de violar o compromisso de liberar duas dezenas de prisioneiros palestinos no fim de março, o último grupo de cerca de 100 que Israel prometeu soltar -- incluindo aqueles condenados por matar israelenses -- quando as negociações foram retomadas em julho.

O funcionário disse que Israel havia "decidido nesta noite deduzir dívidas da Autoridade Palestina a Israel das transferências de receitas fiscais", mas não especificou o montante envolvido.

As receitas, que Israel recolhe sobre mercadorias destinadas ao mercado palestino, chegam a cerca de 100 milhões de dólares por mês e correspondem a aproximadamente dois terços do orçamento palestino.

Com base em reportagens da mídia israelense, as dívidas palestinas a Israel por serviços como o fornecimento de energia elétrica equivalem a pelo menos a receita dos tributos em um mês.

Israel também informou que vai suspender a sua participação em um projeto de exploração de gás na costa da Faixa de Gaza. O alto funcionário da Autoridade Palestina, Yasser Abed Rabbo, condenou as medidas.

"Essas sanções não vão nos assustar, elas são prova para o mundo de que Israel é um Estado de ocupação racista que recorre à arma de punição coletiva, além de outras práticas, incluindo assentamentos e sua expansão e também à negação dos nossos direitos mais básicos como um povo", disse ele.

Mesmo antes da recente enxurrada de medidas de retaliação, as conversações com o objetivo de criação de um Estado palestino e o fim do conflito de décadas tinham estancado por causa da questão dos assentamentos israelenses, na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, e a recusa dos palestinos em reconhecer formalmente Israel como um Estado judaico.

A maioria dos países considera os assentamentos, construídos em terras capturadas em 1967 na Guerra dos Seis Dias, como ilegais. Apesar da crise, havia sinais de um acordo em gestação para a retomada das negociações.

Negociadores israelenses e palestinos se reuniram nesta quinta-feira pela terceira vez nesta semana e discutiram propostas para romper o impasse e prolongar as negociações até o início de 2015, disse uma fonte israelense, confirmando reportagens da mídia israelense e árabe.

Em Washington, o Departamento de Estado disse que os dois lados estavam fazendo progressos, mas negou as sugestões de que haviam chegado a um acordo para prorrogar as negociações.

"As lacunas estão se estreitando, mas quaisquer especulações sobre um acordo são prematuras neste momento", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, em seu contato regular com a imprensa.

(Reportagem adicional de Allyn Fisher-Ilan e Jeffrey Heller, em Jerusalém; e de Arshad Mohammed, em Washington)

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