Israel inicia comemorações dos 60 anos de sua fundação

Festas e eventos celebram aniversário segundo calendário lunar judeu; palestinos marcarão data com protestos

Agências internacionais,

08 de maio de 2008 | 07h30

Israel inicia nesta quinta-feira, 8, as comemorações dos 60 anos de sua fundação com festas por todo o país. Oficialmente as celebrações tiveram início na noite de quarta-feira, quando encerrou um período de 24 horas decretado para lembrar os soldados que morreram defendendo o país. Segundo a BBC, roram realizadas grandes festas nas ruas de Jerusalém, Haifa e Tel Aviv, com a presença de músicos e fogos de artifício. Nesta quinta-feira, estão previstas exibições da Força Aérea na capital israelense.   Veja também:   Aos 60 anos, Israel define próprio papel e de judeus no mundo   Para especialista, Israel não pode vencer novos inimigos   Escritor diz que Israel é 'anormal e sem limites'   Assista ao vídeo    BLOG: Israel, 60. E ainda sexy...'    O Estado de Israel foi proclamado no dia 14 de maio de 1948, segundo o calendário gregoriano. Mas, segundo o calendário lunar judaico, os 60 anos são completados nesta quinta-feira. O país foi fundado três anos depois do final da Segunda Guerra Mundial, na qual milhões de judeus foram exterminados, e seis meses após a ONU ter aprovado a partilha do território que era conhecido como Palestina entre o povo judeu e árabe.   No conflito que se seguiu, calcula-se que 700 milhões de palestinos deixaram a região, tornando-se refugiados. O número atual de refugiados palestinos é calculado em mais de 4 milhões. O direito ao retorno é uma das exigências dos palestinos para a resolução do conflito com os israelenses. A criação do Estado israelense é conhecida como Nakba (tragédia) pelos palestinos e deve ser marcada por protestos e manifestações em territórios palestinos na próxima semana.   Árabes israelenses (que se encontravam em Israel quando da fundação em 48 e se tornaram cidadãos do país) hoje representam 20% da população. Grande parte deles afirma que se recusa a celebrar o aniversário israelense, em solidariedade com os palestinos. Pesquisas de opinião pública sugerem que os israelenses, por sua vez, tem uma percepção cada vez mais negativa dos árabes israelenses.   Israel aguarda, na próxima semana, a visita do presidente americano George W. Bush, que depois seguirá para a Arábia Saudita e o Egito, onde deve se encontrar com o presidente palestino Mahmoud Abbas. Já confirmaram presença também em Israel o ex-premiê britânico Tony Blair, o ex-líder soviético Mikhail Gorbachev, além do prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel, o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger, e o magnata Rupert Murdoch.   Por todo o país, israelenses fizeram churrascos em seus quintais e em parques públicos, sendo entretidos por paradas navais e até um concurso de conhecimentos bíblicos. Mas houve problemas em uma demonstração de saltos de pára-quedas - um dos participantes caiu sobre a multidão e feriu três pessoas com gravidade em uma praia de Tel-Aviv.   Aos 60 anos, Israel é um paradoxo de exuberância e falta de esperança. Um país que enfrenta ataques de foguetes quase diários de militantes palestinos ao mesmo tempo em que forma cientistas com papéis-chave em criações como as redes Wi-Fi e os programas de trocas de mensagens instantâneas.   Seis décadas após emergir das cinzas do Holocausto, Israel é ainda assolado por ameaças do exterior e por uma crise de identidade interna. Sua ocupação de 41 anos dos territórios palestinos trouxe condenação internacional. Mas o país é uma democracia próspera, que garantiu um território para judeus de todo o mundo.   A celebração deste ano foi ofuscada por uma nova denúncia contra o primeiro-ministro, Ehud Olmert. Os processos contra ele levantam dúvidas sobre sua sobrevivência política, enquanto Olmert tenta firmar um acordo de paz com a liderança moderada da Cisjordânia, do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.   As conversas de paz não produziram até agora resultados tangíveis. O primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, apontou nesta quinta-feira que "o processo de paz está enfrentando dificuldades, quando comparado com seus objetivos declarados", o que faz com que os palestinos "se agarrem ao sonho da independência e do direito de retorno dos refugiados".   Na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, palestinos realizaram manifestações para afirmar que a criação de Israel foi para eles a "nakba", ou catástrofe. Centenas de milhares tiveram que deixar suas casas durante a guerra de 1948 entre árabes e israelenses. Atualmente, 4,5 milhões de palestinos refugiados e seus descendentes estão espalhados pela região. Em Belém, 500 manifestantes marcharam com uma grande chave, que simbolizava o desejo dos refugiados de regressar um dia para suas vilas. Muitas delas estão destruídas, no território que hoje é Israel.   Os israelenses, enquanto isso, buscaram colocar de lado suas frustrações políticas na que foi considerada uma das mais felizes celebrações de aniversário desde o primeiro 14 de maio de 1948 - uma data marcada a cada ano em Israel pelo calendário hebraico, daí a diferença de alguns dias em relação ao gregoriano.   A festa começou na noite de quarta-feira, após o fim da celebração pelo Dia da Memória - este em honra aos milhares de soldados israelenses mortos nas guerras contra os árabes e aos civis mortos em ataques de militantes palestinos. O centro de Jerusalém ficou lotado de pessoas que assistiram à queima de fogos anual.   Durante o feriado, Israel proibiu os palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza de entrar em seu território. A razão é o temor de que militantes pudessem realizar ataques durante as comemorações. A medida afeta mais os que vivem na Cisjordânia, pois os habitantes da Faixa de Gaza, controlada pelo radical Hamas, já sofrem com um bloqueio israelense.   Matéria ampliada às 12h20.

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