Israel intensifica bombardeio em Gaza no 13.º dia de ataques

Força aérea ataca 60 alvos no território palestino; Israel faz novo cessar-fogo humanitário de 3 horas

Agências internacionais,

08 de janeiro de 2009 | 08h19

 A força aérea israelense intensificou suas operações contra a Faixa de Gaza durante a madrugada desta quinta-feira, 8, disparando contra aproximadamente 60 alvos no território palestino durante os confrontos com o grupo islâmico Hamas, segundo afirmou um porta-voz de Israel. A escalada dos ataques no 13º dia dos combates atingiu dez túneis usados pelo Hamas para contrabandear armas, bases policiais, aparatos de lançamento de foguetes e "alguns homens armados". Fontes palestinas afirmam que os ataques também destruíram uma mesquita na Cidade de Gaza, que militares israelenses dizem que era usada pelo Hamas como depósito de armas.   Veja também: Mísseis do Líbano contra Israel ameaçam 2º front da guerra Gabinete israelense aprova ampliação de ofensiva em Gaza França provoca confusão ao anunciar cessar-fogo  Trégua por 3h é piada, diz ex-relator da ONU brasileiro  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Brasileiros que vivem na região falam sobre o conflito Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques        Os militares israelenses disseram que interromperam sua ação militar na Faixa de Gaza por três horas, nesta quinta-feira, para permitir que os moradores estoquem suprimentos. O militar Peter Lerner disse que a trégua permitiria que os grupos humanitários auxiliem os civis. Lerner disse também que Israel está enviando auxílio e combustível para Gaza. Israel mantém uma operação militar na área desde 27 de dezembro, em uma tentativa de confrontar os militantes do Hamas. Já foram mortas mais de 700 pessoas nos ataques, e acredita-se que a maioria deles seja civil.   Palestinos observam mesquita atacada na Faixa de Gaza. Foto: Efe   O Exército ainda informou que unidades navais e de artilharia "continuaram dando apoio às forças de terra" e que um soldado israelense teria ficado levemente ferido nos confrontos. Segundo a BBC, informações ainda não confirmadas também dão conta de que tanques israelenses teriam avançado, com a cobertura de helicópteros, até a cidade de Khan Younis, ao sul de Gaza, pouco depois das 0h, horário local. Dois mísseis foram lançados de Gaza contra Israel, de acordo com informações do Exército.   Ameaçando um segundo front de batalha, vários foguetes disparados do Líbano atingiram o norte de Israel nesta quinta-feira, ferindo levemente duas pessoas, informaram a polícia e médicos. Os ataques podem estar relacionados com a guerra de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza. Israel revidou com disparos de artilharia que o porta-voz do Exército israelense descreveu como "resposta precisa à fonte do ataque" - uma reação militar limitada que parece sinalizar o desejo de evitar uma escalada. Três horas mais tarde, serviços de emergência israelense disseram que pelo menos mais um foguete havia atingido o país. Aparentemente não havia vítimas. Também não havia informações de vítimas no Líbano.   Ministros de Israel e do Líbano descartaram a participação do Hezbollah - contra quem Israel travou uma guerra em 2006 - nos ataques. Um ministro do gabinete israelense culpou os palestinos que vivem no Líbano, e não o Hezbollah, pelo lançamento de foguetes contra Israel na quinta-feira e disse que o ataque parece ter sido um caso "isolado". "Acho que estes são incidentes isolados", disse Rafi Eitan, ministro do gabinete do premiê Ehud Olmert, ao Canal 2 israelense. "Esperávamos isto". O ataque vindo do Líbano é um novo desafio ao Estado judeu no 13º dia de campanha militar em Gaza.    O número de palestinos mortos nos 13 dias da ofensiva israelense contra Gaza já passa de 700, incluindo 220 crianças, segundo fontes médicas palestinas. Há mais de 3.100 feridos. Assim como na quarta, Israel deve permitir por três horas a abertura de um corredor humanitário para levar suprimentos à população. Na quarta, centenas de palestinos aproveitaram o momento de calma para comprar mantimentos nas poucas lojas abertas. Mas, após o fim do prazo a Força Aérea israelense voltou a bombardear e o Hamas reiniciou os disparos de foguetes.   Panfletos foram jogados por aviões israelenses alertando civis da cidade de Rafah a abandonar suas casas antes da retomada dos bombardeios. "Em razão de o Hamas usar casas para esconder armas, o Exército de Israel atacará a área entre a fronteira com o Egito e a praia", diziam os avisos. Após o alerta de Israel, cerca de 5 mil civis buscaram abrigo em escolas da ONU. Na terça-feira, disparos de um tanque israelense mataram 43 pessoas que haviam se refugiado em duas escolas da ONU. Após anunciar o ataque a Rafah, a aviação israelense destruiu 16 casas na região que supostamente escondiam entradas de túneis usados para traficar armas do Egito. "Senti o chão tremer e começamos a escutar os ataques. Todos ficaram apavorados", contou Fida Kishta, moradora de Rafah. Israel afirma que só aceitará um acordo de cessar-fogo que seja capaz de impedir o contrabando de armas do Hamas a partir do Egito.   Matéria atualizada às 10 horas.

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