Israel investiga ataque que matou 11 civis em Gaza

Os militares israelenses disseram nesta segunda-feira que ainda não podiam dar uma explicação sobre um ataque aéreo na Faixa de Gaza que matou 11 civis palestinos, incluindo nove membros de uma mesma família.

MAAYAN LUBELL, Reuters

19 de novembro de 2012 | 13h28

O ataque derrubou uma casa de três andares onde estava a família al-Dalu e matou também dois vizinhos. Foi o mais elevado número de mortos num único bombardeio desde o início da ofensiva de Israel na quarta-feira, com o objetivo declarado de pôr fim a anos de disparos esporádicos de foguetes dos palestinos contra o território israelense.

Um dia depois do ataque de domingo, cujas vítimas atravessam quatro gerações, ainda não ficou claro pelos comentários israelenses por que o prédio era um alvo.

Uma porta-voz militar disse à Reuters que as circunstâncias ainda estão sob investigação e ela não podia dar mais detalhes no momento.

Os jornais israelenses Haaretz e Maariv informaram que o Exército havia atirado na casa errada, enquanto o jornal local de maior tiragem, o Yedioth Ahronoth, afirmou que a casa da família al-Dalu era de fato o alvo e que abrigava um militante do Hamas.

Por volta da hora do ataque, os militares disseram ter atingido o comandante do Hamas das operações de lançamento de foguetes, identificando-o como Yihia Abayah.

Logo depois surgiu a informação de que uma família havia sido morta no bombardeio. Horas mais tarde, o chefe dos porta-vozes do Exército de Israel, Yoav Mordechai, disse na televisão que os militares tentaram atacar Abayah. "Embora eu não saiba o desfecho, houve civis afetados por isso."

No entanto, ao redor da casa da família al-Dalu as pessoas dizem desconhecer Yihia Abayah.

Hatem al-Dalu, um parente da família, afirmou: "Nunca ouvi esse nome (Yihia Abayah). Isso é absurdo."

Alguns órgãos da mídia israelense especularam que o alvo do ataque era outro militante, um engenheiro filiado ao Hamas que se pensava estar na casa.

Fontes em Gaza rejeitam essa teoria. Pessoas que conheciam a família disseram que o pai era dono de uma mercearia e não estava em casa quando foi atingida. Na segunda-feira, equipes de resgate continuavam a busca por outro filho e filha que poderiam estar sob os destroços.

O brigadeiro Asaf Agmon, comandante reformado da Força Aérea israelense, disse que erros trágicos podem acontecer se a informação da inteligência estiver errada ou se o aparelho erra o alvo.

Aviões não tripulados (drones) israelenses sobrevoam rotineiramente Gaza. Acredita-se de modo geral que os militares israelenses usam os celulares dos militantes para rastreá-los, bem como dicas de informantes no território.

"É longo o processo de aprovação de um alvo nesse tipo de operação", afirmou Agmon. Depois que o setor de inteligência passa uma informação sobre um alvo, "nós checamos se ele realmente tem sangue nas mãos e se ele pretende continuar com essa atividade."

Pelo menos 90 palestinos foram mortos até agora na ofensiva israelense em Gaza, dos quais cerca de metade não eram combatentes e incluíam 22 crianças, disseram autoridades médicas.

Três civis israelenses foram mortos na quinta-feira por foguetes de palestinos.

(Reportagem adicional de Nidal al-Mughrabi em Gaza)

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