Israel investiga vídeo de soldado atirando em palestino vendado

Para Exército, episódio em que jovem algemado é atingido por bala de borracha é 'total violação' de regras

Efe e Associated Press,

21 de julho de 2008 | 09h20

O Exército israelense abriu investigação por conta de um vídeo que mostra um soldado disparando contra um palestino algemado e com os olhos vendados a menos de dois metros de distância, informaram nesta segunda-feira, 21, fontes militares.   Veja também: Assista ao vídeo no site da ONG   O grupo humanitário israelense B'Tselem divulgou as imagens em que um soldado do Exército de Israel atira na perna de um palestino detido durante uma manifestação na Cisjordânia. A ONG identificou a vítima como Ashraf Abu Rahma, um palestino de 27 anos que protestava contra a barreira de segurança que Israel vem construindo na Cisjordânia.   De acordo com o grupo, Abu Rahma foi alvejado na perna com uma bala de borracha, mas não precisou ser hospitalizado. O palestino atacado pelo soldado não estava disponível para comentar o incidente. O episódio foi registrado em vídeo por uma garota palestina que acompanhava a manifestação e a posterior atuação dos soldados.   Por meio de um comunicado enviado à Associated Press nesta segunda-feira, o Exército israelense qualificou o episódio como uma "total violação" das regras de conduta e segurança da corporação e informou que a polícia militar está investigando o caso.   "Tratamos isso de uma forma muito séria e iniciamos uma investigação da Polícia Militar", disse à Agência Efe a comandante Avital Leibovitz, porta-voz do Exército israelense.A militar não confirmou se o soldado envolvido foi colocado sob detenção, como afirmam nesta segunda alguns veículos de comunicação locais, e disse que, "quando terminar a investigação, serão tomadas decisões".   Leibovitz, no entanto, coloca em dúvida alguns aspectos da gravação, afirma que "o vídeo está editado, há seqüências que faltam e é preciso se perguntar o que foi apagado. Além disso, o som não é o som real, se ouve várias pessoas falando e não os ruídos da manifestação", afirmou. "Um palestino que estava detido ficou ferido no pé. Apesar de ser um ferimento leve e que tenha ido para casa andando, o fato de ser leve não é relevante. Nós não educamos nossos soldados para ferir os detidos. Esta não é a forma como atua o Exército de Israel", acrescentou.   Israel começou a construir uma barreira de 680 quilômetros de extensão em 2002 sob a alegação de que o emaranhado de cercas, muros e trincheiras é necessário para impedir incursões de militantes radicais palestinos em seu território. Entretanto, a barreira de segurança invade em diversos pontos a Cisjordânia e deixa aldeias palestinas no "lado israelense" da barreira.   Os palestinos denunciam a barreira como uma tentativa israelense de tomar territórios nos quais a Autoridade Nacional Palestina (ANP) pretende fundar um Estado independente e soberano, inviabilizando sua emancipação.

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