Israel libera passagem de armas para palestinos na Cisjordânia

Governo israelense tenta fortalever o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, contra o Hamas

Agência Estado e Associated Press,

05 de setembro de 2008 | 11h09

Israel permitiu que as forças palestinas na Cisjordânia recebam um carregamento de cerca de mil fuzis Kalashnikov e dezenas de milhares de balas. A intenção é fortalecer o governo moderado do presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, disse nesta sexta-feira, 5, um funcionário da defesa israelense. O tema é delicado para os israelenses, pois armas fornecidas por Israel a forças de segurança palestinas na década de 1990 foram usadas contra os israelenses quando as negociações degeneraram em violência, em 2000. Mas existe o temor de que um governo moderado fraco possa perder o controle da Cisjordânia para o Hamas. O grupo islâmico já tomou controle sobre a Faixa de Gaza em junho de 2007, expulsando o partido laico Fatah, de Abbas. O carregamento com armas chegou aos palestinos através da Jordânia, aproximadamente há uma semana, disse o funcionário, que falou sob condição de anonimato. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e Abbas negociaram a transferência das armas quando se encontraram em 31 de agosto, indicou a fonte. O governo israelense sofre pressão para apoiar o governo de Abbas, como parte das negociações de paz promovidas pelos Estados Unidos. Porém para os críticos o país não cumpriu medidas importantes, como a paralisação dos assentamentos e a retirada dos postos de controle em algumas áreas. Por outro lado, os palestinos são criticados por não fazerem o suficiente para reprimir os militantes. Esse ponto também é visto como crucial para o sucesso das negociações.Um assessor de Abbas e um comandante encarregado da segurança afirmaram desconhecer a transferência de armas. Os palestinos controlam alguns pontos da Cisjordânia, mas os militares israelenses mantêm um controle sobre a região como um todo e também da passagem fronteiriça com a Jordânia. Nas atuais negociações de paz, Israel insiste que um futuro Estado palestino seja desmilitarizado. Os palestinos discordam, e essa tem sido uma das principais divergências entre os dois lados, segundo funcionários palestinos. Abbas disse que gostaria de alcançar um acordo final de paz até o fim do ano, prazo estabelecido pelo presidente dos EUA, George W. Bush. Porém o líder palestino admitiu que será difícil cumprir a meta. Além disso, Abbas rejeitou um acordo parcial. "É tudo ou nada, na verdade", apontou. Também nesta sexta-feira, cerca de 90 mil muçulmanos se reuniram na mesquita Al Aqsa, em Jerusalém, para as primeiras orações comunitários do mês sagrado do Ramadã. Segundo um porta-voz policial, milhares de homens foram destacados para evitar incidentes.

Tudo o que sabemos sobre:
Israelpalestinos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.