Israel liberta 198 prisioneiros palestinos

'Gesto de boa vontade' aos palestinos sofre crítica por incluir envolvidos em mortes de israelenses.

Agência Estado e Associated Press,

25 de agosto de 2008 | 07h38

Israel libertou 198 prisioneiros palestinos, que foram recebidos como heróis nesta segunda-feira, 25, Cisjordânia. O Estado judeu espera que a libertação ajude o presidente palestino, Mahmoud Abbas e seus esforços de paz. A operação começou horas antes da planejada chegada da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que tentará obter progressos num acordo de paz que Washington espera conseguir até o final do ano.  Os ex-prisioneiros tiveram uma recepção de heróis ao chegarem à Cisjordânia, onde milhares de pessoas celebravam nas proximidades do escritório de Abbas, em Ramallah, e em outras cidades da região. "Nós não descansaremos até os prisioneiros estarem livres e as cadeias, vazias", garantiu Abbas à multidão. Os prisioneiros chegaram à Ramallah após serem libertados em um posto de controle militar israelense perto de Jerusalém. Alguns deles beijaram o solo ao deixar os ônibus israelenses, antes de entrar em veículos palestinos. Entre os 198 libertados estava Said al-Atba, condenado à prisão perpétua e detido havia mais de 30 anos por planejar um ataque à bomba em um mercado, em 1977. No atentado, no centro de Israel, morreu uma mulher e dezenas de outras pessoas ficaram feridas. Al-Atba, de 57 anos, era o palestino que cumpria pena havia mais tempo em Israel. Ele é visto pelos palestinos como um símbolo de todos os prisioneiros.  O irmão dele, Hisham, saiu da Arábia Saudita, onde trabalha, para reencontrá-lo. "Eu sinto muita, muita alegria", disse Hisham. "Nós havíamos perdido a esperança que meu irmão seria liberado, porque ele estava preso havia 32 anos." O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, recebeu pessoalmente todos os libertados, dos quais apertou a mão e abraçou ao lado do túmulo do histórico líder Yasser Arafat. "Vejo 198 heróis. Estamos felizes por sua libertação, mas ainda temos tristeza em nossos corações, porque ainda há onze mil detidos em prisões israelenses", disse Abbas. "O nome de cada prisioneiro está impresso em nossos corações e esperamos ver livres também líderes como Marwan Barghouti, Ahmed Saadat e Aziz Dweik", disse, acrescentando que "não haverá paz sem que os prisioneiros sejam libertados". O governo israelense libertou nesta segunda-feira, 25, quase 200 prisioneiros palestinos, em uma medida destinada a melhorar as relações com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. A libertação acontece horas antes da chegada da secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, que vai à região para sua mais recente missão de paz no Oriente Médio. Os ex-prisioneiros tiveram uma recepção de heróis ao chegarem à Cisjordânia, onde milhares de pessoas celebravam nas proximidades do escritório de Abbas, em Ramallah, e em outras cidades da região. "Nós não descansaremos até os prisioneiros estarem livres e as cadeias, vazias", garantiu Abbas à multidão. Os prisioneiros chegaram à Ramallah após serem libertados em um posto de controle militar israelense perto de Jerusalém. Alguns deles beijaram o solo ao deixar os ônibus israelenses, antes de entrar em veículos palestinos. Entre os 198 libertados estava Said al-Atba, condenado à prisão perpétua e detido havia mais de 30 anos por planejar um ataque à bomba em um mercado, em 1977. No atentado, no centro de Israel, morreu uma mulher e dezenas de outras pessoas ficaram feridas. Al-Atba, de 57 anos, era o palestino que cumpria pena havia mais tempo em Israel. Ele é visto pelos palestinos como um símbolo de todos os prisioneiros.  O irmão dele, Hisham, saiu da Arábia Saudita, onde trabalha, para reencontrá-lo. "Eu sinto muita, muita alegria", disse Hisham. "Nós havíamos perdido a esperança que meu irmão seria liberado, porque ele estava preso havia 32 anos." O destino dos quase 9 mil prisioneiros palestinos mantidos em Israel é um tema que mobiliza os palestinos, muitos dos quais conhecem alguém detido ou mesmo já passaram por essas prisões. Abbas, que trabalha para mostrar ao seu povo os benefícios das conversas de paz, pede há tempos que o governo israelense liberte prisioneiros. "Não é fácil para Israel liberar prisioneiros. Alguns dos indivíduos liberados hoje são culpados de envolvimento direto no assassinato de civis inocentes", disse o porta-voz do governo israelense, Mark Regev. "Nós acreditamos que essa ação pode apoiar o processo de negociação e criar uma boa-vontade." Condoleezza saudou as libertações. "Isso é algo que importa muito para os palestinos, importa muito para o povo palestino e é obviamente um sinal de boa-vontade", afirmou. A secretária de Estado realiza sua sétima viagem à região desde o relançamento das conversas de paz, no ano passado. Os Estados Unidos trabalham por um acordo entre os dois lados até o fim deste ano, meta que a própria Condoleezza considera improvável de ser alcançada. A secretária de Estado manterá reuniões com funcionários palestinos e israelenses por dois dias. Também haverá encontros trilaterais para tentar avançar no processo de paz.  Israel havia libertado prisioneiros a pedido de Abbas no passado, a última vez em dezembro. Mas sempre resistiu a libertar aqueles envolvidos em ataques com mortes. Agora o governo israelense parece ter relativizado esse critério, após a troca de prisioneiros com a guerrilha libanesa do Hezbollah, no mês passado. Sob aquele acordo, Israel trocou um libanês condenado por um triplo homicídio pelos restos de dois soldados israelenses. Israel busca também fortalecer Abbas diante de seus rivais do Hamas, que controlam a Faixa de Gaza desde a expulsão do Fatah de Abbas, no ano passado. O Hamas exige da administração israelense a libertação de centenas de militantes palestinos, em troca da libertação de um soldado israelense capturado há dois anos. Bloqueio O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores israelense, Yigal Palmor, disse que o país não deve interceptar duas embarcações que furaram o bloqueio de Israel na Faixa de Gaza. Os navios partiram do Chipre e levaram ajuda internacional ao território palestino. Apesar do cessar-fogo entre o Hamas e Israel, a Faixa de Gaza permanece quase totalmente fechada. Inicialmente, o governo israelense afirmou que interceptaria as embarcações. Em seguida, mudou de idéia e permitiu que elas chegassem à Faixa de Gaza no fim de semana. Agora, Palmor sinalizou que será permitida a volta dos navios ao Chipre. Viagens futuras serão analisadas caso por caso, segundo o funcionário. Matéria atualizada às 12h40.

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