Israel manda reservistas e avança em centros urbanos de Gaza

Aumento do número de soldados e confrontos diretos contra Hamas indicam início de nova fase do conflito

Agências internacionais,

12 de janeiro de 2009 | 07h44

Líderes israelenses enviaram reservistas do Exército para a Faixa de Gaza numa tentativa de golpear o Hamas no conflito que já dura 17 dias, bombardeou casas de membros do grupo militante e mandou tropas para os centros urbanos do denso território palestino nesta segunda-feira, 12. Com o número de palestinos mortos chegando a 900, e a pressão internacional crescendo por um cessar-fogo, as forças de Israel atacaram túneis usados para o tráfico de armas na fronteira com o Egito e possivelmente prepara uma grande operação nas áreas mais populosas. O Exército anunciou ainda no fim de semana que começou a mandar unidades da reserva para auxiliar os soldados nos confrontos, medida que sinalizaria os planos de ampliar a ofensiva em uma nova fase - confrontos diretos em zonas urbanas.   Veja também: Custo da guerra é de US$ 8 milhões por dia  Síria quer mostrar poder  'Bomba em escola da ONU foi erro de mira'  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques       Israel lançou a operação contra a Faixa de Gaza no dia 27 de dezembro, promovendo dezenas de bombardeios antes da invasão terrestre. Os combates prosseguiram nas últimas duas semanas, apesar da pressão internacional por um cessar-fogo. Com a possibilidade das tropas avançarem contra os centros urbanos, líderes israelenses deram alguns sinais de como o Exército alcançaria seu objetivo, afirmando que a ofensiva está perto de alcançar seu objetivo, mas que ela deve continuar. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, o ministro da Defesa Ehud Barak e a chanceler israelense, Tzipi Livni, se encontraram no domingo e decidiram aumentar a pressão contra o Hamas, segundo afirmou a imprensa de Israel.   "Israel é um país que reage vigorosamente quando seus cidadãos são atacados, e isso é uma coisa boa", afirmou Livni nesta segunda-feira. "Isso é algo que o Hamas entende agora e como reagiremos no futuro se for lançado um míssil contra Israel". Forças de segurança israelenses acreditam que conseguiram dar um duro golpe contra o Hamas, matando centenas de militantes, incluindo altos comandantes. Serviço de Segurança Geral de Israel (Shin Bet) disse no domingo que os líderes do grupo estão perto da rendição.   Ônibus lotados de reservistas israelenses seguiram em direção ao território palestino no domingo, apesar dos pedidos do Conselho de Segurança da ONU por uma trégua. Os bombardeios têm sido interrompidos todos os dias durante três horas para permitir que os civis recebam ajuda humanitária. A terceira fase, que pela primeira vez envolve reservistas, pode elevar ainda mais o número de mortos. Segundo fontes médicas de Gaza, 900 palestinos morreram, sendo pelo menos metade civis, e mais de 3.600 foram feridos. Do lado israelense, há 13 mortos - incluindo dez soldados.   Muitos moradores estão deixando os subúrbios da Cidade de Gaza e buscando abrigo no centro para escapar do avanço dos combates. Um grupo de direitos humanos palestinos disse que 90 mil pessoas, metade delas crianças, fugiram de suas casas no território. Israel e Egito se recusam a abrir suas fronteiras para permitir que os civis fujam da violência.   O Exército afirma que o Hamas está evitando enfrentar os soldados israelenses que avançam no território, usando táticas de guerrilha enquanto seus militantes entram nas populosas áreas residenciais. O Hamas, de acordo com reportagem do The New York Times, preparou o terreno nos últimos dois anos para combater os israelenses na Faixa de Gaza. O grupo se movimenta em túneis, esconde armas em mesquitas, escolas e casas. O jornal diz também que membros da organização se vestem como civis e se misturam à população. Israel acusou líderes do Hamas de estarem escondidos em missões diplomáticas e até em um bunker sob um hospital.   (Com Gustavo Chacra, de O Estado de S. Paulo)

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