Israel mantém ataques contra Gaza e mortos chegam a 228

Até 750 podem ter sido feridos no dia mais sangrento para os palestinos em 4 décadas; Hamas diz que 'resistirá'

Reuters,

28 de dezembro de 2008 | 01h19

Os ataques israelenses contra o sul da Faixa de Gaza continuaram durante as primeiras horas deste domingo, 28. Aviões de combate israelenses desfecharam um ataque que, de acordo com testemunhas, atingiu um caminhão de combustível que se deslocava na periferia da cidade de Rafah, próximo à fronteira egípcia. Segundo a rádio do Hamas, houve vários mortos e feridos, mas a informação não pôde ser confirmada. Israel afirmou ainda que atacou uma mesquita na cidade de Gaza neste sábado porque o local era usado para "atividades terroristas". Trabalhadores de equipes médicas palestinas disseram que pelo menos dois palestinos foram mortos. 228 pessoas já morreram num dos dias mais sangrentos das últimas décadas de conflito no Oriente Médio.   Veja também: Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos Ofensiva israelense deve sepultar esforço de paz Hamas pede nova Intifada contra Israel após ataques Olmert diz que operação em Gaza pode levar 'mais tempo' Europa pede fim dos ataques; EUA culpam Hamas  Itamaraty condena 'reação desproporcional' de Israel Abbas pede ajuda; Liga Árabe convoca reunião de urgência Reação palestina mata israelense; Hamas promete resistência Ataque israelense em Gaza espalha protestos no mundo árabe Irã enviará navio com ajuda para Gaza, diz TV estatal Veja imagens de Gaza após os ataques       A CNN informou que ocorreram três explosões na fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza. Um porta-voz militar israelense disse à agência France Presse em Tel-Aviv que as forças de Israel continuam os ataques contra alvos do Hamas na Faixa de Gaza, no segundo dia da maciça operação militar iniciada neste sábado, em retaliação ao lançamento de foguetes pelos palestinos. Segundo a rádio pública de Israel, foram realizados cerca de 20 ataques aéreos noturnos.   Um porta-voz militar israelense disse que Israel procurou evitar os ataques contra instituições religiosas, mas afirmou que "os responsáveis por agressões contra Israel não encontrarão refúgio em lugar algum". Ele afirmou que a mesquita encontra-se no distrito de Rimal. O porta-voz afirmou ainda que foguetes palestinos atingiram casas de oração, e uma sinagoga foi danificada no sábado.   Segundo autoridades palestinas da área de saúde informaram a diferentes agências de notícias, o total de feridos seria de pelo menos 380, podendo chegar a 750. Equipes de socorro ainda trabalham para resgatar sobreviventes presos sob os escombros e espera-se que o número de vítimas aumente nas próximas horas.   A TV mostrou vários prédios destruídos e a revolta da população, além de cadáveres com o uniforme do Hamas, que controla Gaza. O grupo islâmico já anunciou que resistirá "até a última gota de sangue", cujo alerta coincidiu com a primeira informação de Israel sobre o ataque, iniciado por volta das 11h30 locais (8h30 em Brasília).   O Ministério da Saúde da Autoridade Nacional Palestina (ANP), na Cisjordânia, lançou uma chamada para que a população doe sangue, que será transferido, junto com remédios e ambulâncias, às áreas atingidas.   Segundo o jornal israelense Haaretz, a maioria dos mortos é formada por militantes do Hamas. Ainda de acordo com a publicação, o ataque, realizado com 60 caças F-16, teria acertado 95% dos alvos.   Estes bombardeios aéreos são os mais intensos que Israel lançou contra Gaza nas últimas quatro décadas, e podem indicar a iminência de uma operação terrestre. Autoridades de segurança de Israel vêm mencionando essa possibilidade há alguns dias.   Pânico nas ruas   Alguns dos mísseis israelenses caíram sobre áreas densamente povoadas, provocando pânico pelas ruas. Entre as áreas atingidas, está o porto da Cidade de Gaza.   Crianças fugiram apavoradas com as explosões seguidas de fogo e nuvens pretas. Corpos de policiais palestinos foram alinhados em uma rua movimentada da cidade.   Como resposta, militantes do Hamas dispararam foguetes, matando uma civil israelense e ferindo quatro outras pessoas em Negev.   Pouco depois do ataque, o Egito abriu a passagem fronteiriça de Rafah para permitir a entrada de ajuda humanitária e a retirada de feridos.   Histórico   Israel deixou Gaza em 2005 após 38 anos de ocupação, mas a retirada não melhorou a relação do país com os palestinos no território como as autoridades israelenses esperavam. Ao invés disso, a retirada foi sucedida por aumento nos ataques de militantes contra comunidades na fronteira com Israel, provocando resposta do exército israelense.   O último ataque de Israel, ocorrido entre o final de fevereiro e o início de março deste ano, levou ambos lados a propor um cessar-fogo, que durou seis meses e começou a ruir em novembro.   Com 200 ataques de morteiros e mísseis contra a fronteira israelense desde que o cessar-fogo acabou, na semana passada, e 3 mil desde o início do ano, a pressão cresceu em Israel para uma ação militar.   Os líderes israelenses fizeram várias ameaças nos últimos dias e consideram o Hamas responsável pelo fracasso da trégua. Apesar da crescente tensão, os palestinos não esperavam um ataque até pelo menos domingo. A expectativa era de que o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, não autorizasse nenhuma operação nesta semana.   Segundo a imprensa israelense, o governo daria tempo às autoridades egípcias de realizar uma última tentativa de mediação entre Israel e o grupo palestino Hamas. No começo da semana, o grupo islâmico disse que Israel iria abrir os portões do inferno caso realizasse ataques.   Texto atualizado às 5h30

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