Israel mata 4 após Hamas expor suas condições para trégua

Forças israelenses mataram 4militantes palestinos na Cisjordânia ocupada nestaquarta-feira, horas depois de o Hamas divulgar suas condiçõespara selar um cessar-fogo com Israel, exigindo o fim dasoperações militares do país nos territórios palestinos e areabertura dos postos de fronteira da Faixa de Gaza. Uma fonte do grupo Jihad Islâmica, que perdeu trêsintegrantes, incluindo um líder local, no ataque de Belémprometeu vingança e acusou: "os inimigos sionistas não têminteresse na paz". Saeb Erekat, importante aliado do presidente palestinoMahmoud Abbas, condenou os ataques de Belém dizendo que eles"arruinam os esforços para alcançar um cessar-fogo". A Jihad Islâmica está entre os grupos palestinos com osquais o mediador Egito vem tentando firmar um acordo para umatrégua que incluiria o fim dos ataques com foguetes realizadosdesde a Faixa de Gaza contra Israel. "Israel precisa comprometer-se a deixar de lado todos ostipos de agressão contra o nosso povo, ou seja, osassassinatos, as mortes e as operações militares, e precisalevantar o bloqueio (à Faixa de Gaza) e reabrir os postos defronteira", disse em um discurso Ismail Haniyeh, líder do Hamasna Faixa de Gaza. Um acordo de cessar-fogo, segundo Haniyeh, deveria ser"recíproco, amplo e simultâneo" e deveria vigorar tanto naFaixa de Gaza, controlada pelo Hamas, quanto na Cisjordânia. "Nós não abandonaremos vocês, nosso povo na Cisjordânia",afirmou Haniyeh. "Qualquer ato de agressão contra vocês é umato de agressão contra nós." Um porta-voz do primeiro-ministro israelense Ehud Olmert --mostrando-se aberto a uma trégua de fato -- disse que "não há anecessidade de negociar" um cessar-fogo na Faixa de Gaza. "Nós podemos nos acalmar no sul, se não houver nenhumfoguete ou míssil vindo da Faixa de Gaza para Israel, se oHamas cessar suas operações terroristas contra os israelenses ese puserem fim ao contrabando ilegal de armas e munições para aFaixa de Gaza", disse o porta-voz, Mark Regev. Regev pareceu recusar a idéia de parar as operaçõesmilitares na Cisjordânia, dizendo que "não se defendercontra...terroristas brutos" seria uma irresponsabilidade. Ele disse que Israel não concordaria em reabrir asfronteiras com a Faixa de Gaza se o Hamas tiver qualquerinfluência nas operações na área. Haniyeh fez o discurso horas depois de soldados israelensesterem matado um militante da Jihad Islâmica na Cisjordâniaocupada, um incidente que, segundo uma autoridade do Hamas,mostra que Israel "não está interessado em uma situação decalmaria". Uma trégua poderia ser fundamental para o sucesso dasnegociações de paz patrocinadas pelos EUA e realizadas entreIsrael e o presidente palestino, cujo grupo Fatah perdeu ocontrole da Faixa de Gaza para os combatentes do Hamas em junhopassado. O número de ataques com foguetes realizados desde a Faixade Gaza diminuiu agudamente desde que Israel pôs fim a umaofensiva no território nove dias atrás, após matar 120palestinos, cerca de metade deles identificados como civis. O Egito intensificou seus esforços para obter umcessar-fogo, em meio à insistência de líderes israelenses denão negociarem com o Hamas, grupo que ignora os apelos doOcidente para que reconheça Israel e renuncie ao uso daviolência. Depois da tomada de poder pelo Hamas, o governo israelenseampliou as restrições que impõe na fronteira da Faixa de Gaza,uma manobra que, segundo os palestinos, transformou oterritório em uma imensa prisão. Um acordo para reabrir os postos de fronteira poderiaincluir uma troca de prisioneiros envolvendo palestinosmantidos nas penitenciárias de Israel e um soldado israelensecapturado por militantes da Faixa de Gaza em 2006. (Reportagem adicional de Nidal al-Mughrabi em Gaza)

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