Ammar Awad/REUTERS
Ammar Awad/REUTERS

Israel mata 6 palestinos 1 ano após violenta ofensiva em Gaza

Uma ONG israelense está investigando o caso e sugere que pelo menos dois deles foram executados

EFE,

26 de dezembro de 2009 | 14h27

O Exército israelense matou neste sábado, 26, três palestinos na Cisjordânia e outros três na Faixa de Gaza, após meses de relativa calma e às vésperas do aniversário da sangrenta ofensiva lançada por Israel contra a faixa territorial há um ano.

 

Veja também:

Hamas avalia proposta israelense para troca de prisioneiros

Israelense é morto em tiroteio na Cisjordânia, diz Exército

 

Pouco após as mortes, a Autoridade Nacional Palestina (ANP) condenou as agressões israelenses por meio de Nabil Abu Rudeina, porta-voz presidente palestino, Mahmoud Abbas. O assessor do líder do Fatah disse que os ataques foram uma mostra de que a "ocupação decidiu destruir a segurança e a estabilidade do povo palestino".

 

"Israel quer levar nosso povo ao círculo sangrento da violência para fugir das crescentes pressões internacionais sobre seu Governo, que é responsável por bloquear o horizonte do processo de paz", disse o funcionário.

 

As seis mortes registradas hoje aconteceram de manhã. Na Faixa de Gaza, três civis perderam a vida e um quarto ficou ferido junto à cerca fronteiriça que separa o território de Israel. Segundo informações, o grupo morreu ao ser atingido por disparos de um avião da Força Aérea israelense.

 

Testemunhas disseram que os quatro palestinos tentavam atravessar a fronteira pela passagem de Erez, que fica no extremo norte de Gaza. Quando os soldados israelenses tomaram conhecimento, atiraram contra o grupo.

 

Em nota, o Exército israelense esclareceu que, embora tenha sido um avião o responsável pela morte dos palestinos, militares em terra dispararam várias vezes contra eles, que pretendiam cometer "atos terroristas" em Israel.

 

Em outro episódio, tropas israelenses lançaram uma incursão na cidade de Nablus, na Cisjordânia, matando três milicianos ligados às Brigadas dos Mártires de al-Aqsa, braço armado do Fatah, o partido do presidente da ANP, Mahmoud Abbas. Os três mortos não estavam juntos e foram identificados como: Raed al-Sarkaji, de 38 anos; Ghassan Abu Sharej, de 40, e Anan Soboh, de 36.

 

Ghassan Hamedan, médico responsável pelo hospital de Nablus, informou à imprensa que os soldados israelenses invadiram a casa de Sarkaji e o mataram na presença da mulher, que ficou ferida. Já Sharej foi ferido pelos soldados depois de ter sido detido, enquanto Soboh, que estava em um esconderijo com uma pistola e dois rifles de assalto M16, perdeu a vida em um tiroteio com os soldados israelenses.

 

Soboh também tinha sido beneficiado por uma anistia de Israel a milicianos que prometessem deixar suas atividades em grupos armados palestinos desmantelados nos últimos anos por Abbas na Cisjordânia.

 

Em nota, o Exército israelense declarou que soldados entraram em Nablus para localizar e prender suspeitos de envolvimento na morte de Meir Avshalom Hai, um colono judeu morto na quinta-feira por disparos de milicianos.

 

Os funerais dos três palestinos mortos em Nablus foram acompanhados por mais de 5.000 pessoas. Foram gritadas palavras de ordem contra qualquer tipo de negociação com Israel, e os presentes não carregavam bandeiras de facções armadas ou de milícias, só as da ANP e do Fatah.

 

Os moradores da cidade dizem que os mortos não eram milicianos. Sharej, por exemplo, seria eletricista. Soboh, por sua vez, era membro das forças de segurança. Já Sarkaji teria abandonado a luta armadas após oito anos em uma prisão israelense.

 

A ONG israelense B'Tselem, que está investigando o caso, sugere que o Exército israelense pode ter executado pelo menos dois deles. De acordo com os dados em poder da B'Tselem, em dois dos três casos as tropas se comportaram como se estivessem se preparando para uma execução e não para uma eventual detenção.

 

Parentes das vítimas e testemunhas disseram à ONG israelense que dois dos procurados estavam desarmados e não tentaram escapar. Os soldados também não tentaram impedi-los, apenas atiraram de uma distância curta.

 

Não houve testemunhas da morte do terceiro morto. O grupo de direitos humanos nos territórios ocupados pediu ao Exército israelense que abra uma investigação sobre o caso.

 

A violência na região aumentou na véspera do primeiro aniversário da mais dura ofensiva lançada por Israel contra a Faixa de Gaza. Os confrontos travados na virada de 2008 para 2009 mataram 1.400 palestinos e feriram 5.000. Milhares de casas e prédios públicos também foram destruídos.

Tudo o que sabemos sobre:
Israel, Gaza, Fatah

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.