Israel mata palestinos doentes ao barrar viagens, diz OMS

Israel impediu muitos palestinosdoentes que moram na Faixa de Gaza de passarem pela fronteiradesde que o Hamas assumiu o controle do território, e váriosdeles estão morrendo a cada mês desnecessariamente, afirmou naterça-feira uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU). A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que Israel negouvisto de entrada para 18,5 por cento dos pacientes que tentaramsair da Faixa de Gaza em 2007, contra 10 por cento no anoanterior. Em dezembro de 2007, 36 por cento tiveram seus pedidos devisto negados, contra 8,5 por cento em dezembro de 2006. Segundo a OMS, o número de pedidos e as porcentagens derecusa aumentaram depois que o grupo islâmico Hamas assumiu ocontrole da Faixa de Gaza, em junho, após o posto de fronteiracom o Egito ter sido fechado e Israel ter tornado mais rígidasas restrições impostas ao território palestino. O governo israelense não forneceu números sobre quantosmoradores da Faixa de Gaza doentes receberam vistos para sairda região no ano passado. Uma importante autoridade da área de defesa negou que osistema provocasse mortes desnecessárias, mas disse que Israelpreocupava-se com a possibilidade de homens-bomba passarem-sepor doentes a fim de ingressarem no território israelense. O Estado judaico diz que seu bloqueio ao territóriopalestino é uma resposta aos foguetes disparados através dafronteira por militantes. Várias organizações internacionaiscondenam essa medida, vendo nela uma punição coletiva. "Mesmo sob fogo e sob ameaças, ainda tentamos atender àscarências da população da Faixa de Gaza na área da saúde",afirmou o coronel Nir Press, chefe do Escritório de Coordenaçãoe Ligação para a Faixa de Gaza. A falta de remédios, de equipamentos médicos e deprofissionais da área da saúde é resultado, segundo asautoridades palestinas, das restrições impostas por Israel esignificam que o tratamento de doenças mais complexas não podeser feito na Faixa de Gaza. Ao longo dos últimos anos, milhares de habitantes doterritório receberam tratamento dentro do Estado judaico. A OMS disse que 32 palestinos da Faixa de Gaza morreramentre 1o de outubro e 2 de março enquanto aguardavam por vistosde viagem. A entidade não conseguiu fornecer dados comparativos edisse ser difícil avaliar caso a caso se um tratamento maisrápido poderia ter salvado a vida do paciente. De toda forma,afirmou ser cabível descrever muitas das mortes comodesnecessárias. "Todas essas tragédias poderiam ter sido facilmenteevitadas", afirmou o chefe do escritório da OMS para aCisjordânia e a Faixa de Gaza, Ambrogio Manenti, em umaentrevista coletiva. Autoridades palestinas da área da saúde na Faixa de Gazadisseram que mais de 100 pacientes do território morreram emjunho após terem seus pedidos de visto negados. Israel retirou seus soldados e colonos do território em2005, mas continua a controlar as fronteiras dele. Para ospalestinos, isso significa que Israel precisa obedecer àConvenção de Genebra válida para uma força de ocupação,garantindo os serviços básicos à Faixa de Gaza. O Egito permitiu que alguns moradores do territóriopalestino ingressassem em seu território para recebertratamento médico, mas vem acatando o pedido de Israel paramanter a fronteira quase totalmente fechada.

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