Israel mira novos alvos; 9 mortos em ataque com tanque

Após rejeição de cessar-fogo determinado pela ONU, combate entre Hamas e Israel se intensifica

Associated Press,

10 de janeiro de 2009 | 10h47

As forças israelenses atacaram dezenas de alvos e avançaram para mais perto da Cidade de Gaza neste sábado, 10, mas a ofensiva - assim como nos outros dias - não impediu que o sul de Israel fosse atingido por uma nova série de disparos de foguetes no início do dia.                                                                                                                                           Reuters Veja também:Após fracasso da ONU, Egito tenta cessar-fogoONU afirma que 257 crianças palestinas morreram em GazaEmbaixador brasileiro no Egito fala da negociação entre Hamas e Egito  Correspondente do 'Estado' fala sobre o conflito Especial traz mapa com principais alvos em Gaza Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques     No ataque mais sangrento deste sábado, um tanque israelense desembarcado próximo a uma casa na cidade de Jebaliya - norte da Cidade de Gaza -, matou nove pessoas que haviam saído para o jardim. Em outro episódio, uma mulher foi morta por uma ataque aéreo de Israel no sul da cidade de Rafah.  Os militares israelenses disseram que mais de 15 militantes do Hamas foram mortos em um ataque anterior durante a noite. A aviação israelense atacou mais de 40 alvos através da Faixa de Gaza, atingindo 10 locais de lançamentos de foguetes, instalações de armazenamento de armas, túneis de contrabando e lançadores de mísseis antiaéreos e homens armados. Chamas e fumaça podem ser vistos subindo ao céu sobre a Cidade de Gaza.  Sem trégua O combate se intensificou depois de ambos, Israel e o Hamas, terem ignorado uma resolução das Nações Unidas, que pedia um cessar-fogo imediato e durável que levaria a retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza.  Israel recusou a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança na quinta-feira como impraticável, enquanto o Hamas, cujo governo na Faixa de Gaza não é reconhecido internacionalmente, alega que não foi consultado sobre os esforços diplomáticos.  Parte dos combates mais pesados deste sábado ocorreu na estratégica rodovia costeira no norte da Cidade de Gaza, segundo oficiais de segurança palestinos. As forças israelenses se moveram para uma distância de cerca de pouco mais de 1 km da cidade antes de recuarem um pouco.  Embora Israel tenha, em grande medida, assumido o controle da rodovia, os militantes do Hamas continuavam a operar de posições escondidas na área. A rodovia é frequentemente usada para lançar foguetes em Israel ou para atacar barcos da marinha israelense na costa do Mediterrâneo.  Na manhã deste sábado, os militantes dispararam 10 foguetes contra Israel, segundo o exército israelense. Um foguete atingiu um prédio de apartamentos no sul da cidade de Ashkelon, ferindo levemente duas pessoas e provocando extensos danos à estrutura. Crise humanitária Os ataques israelenses, iniciados há duas semanas, vêm causando extensos danos através da Faixa de Gaza, alimentando os temores de uma iminente crise humanitária. A ONU estima que dois terços da população de 1,4 milhão de palestinos estão sem eletricidade e metade dela não tem água corrente.  Os militares israelenses disseram que suspenderiam o fogo na Faixa de Gaza por três horas neste sábado para permitir que os sitiados residentes deixem suas casas e comprem suprimentos. Os médicos usam esse tempo para resgatarem feridos em áreas de combate e os grupos de socorro também correm para distribuírem alimentos.  É a terceira vez nos últimos dias que Israel faz uma pausa nos ataques para "permitir" a entrada de grupos de ajuda na Faixa de Gaza. Mas eles dizem que as três horas não são suficientes para fazerem seu trabalho. Salam Kanaan, da organização Salve as Crianças, disse que na pausa anterior, por exemplo, sua agência distribuiu alimentos para 9.500 pessoas - muito abaixo das 150 mil pessoas que atende.  O funcionário da ONU Adnan Abu Hasna disse que a agência de refugiados palestinos distribuiria ajuda para cerca de 40 mil pessoas, metade delas nas escolas do órgão que foram transformadas em abrigos.  Toda a ajuda entregue está vindo dos suprimentos que já estavam em Gaza. Funcionários da ONU disseram que a suspensão dos embarques de ajuda para a Faixa de Gaza através da fronteira controlada por Israel permanece em vigor. A proibição foi imposta na quinta-feira, depois que um motorista de caminhão da ONU foi baleado e morto por forças israelenses. Não está claro quando as entregas serão retomadas.  "A cada dia que passa e a cada momento que o cessar-fogo exigido pelo Conselho de Segurança (da ONU) não é observado, a crise continua", disse o porta-voz da ONU Chris Gunness.  Israel afirma que qualquer acordo de cessar-fogo deve incluir garantias de que o Hamas vai suspender os ataques e coloque fim ao contrabando de armas para a Faixa de Gaza através da fronteira com o Egito. O Hamas, por outro lado, diz que não aceitará qualquer cessar-fogo que não inclua a plena abertura das fronteiras da Faixa de Gaza.  A resolução da ONU enfatiza a necessidade de abertura de todas as fronteiras, que Israel e Egito mantém fechadas desde o Hamas tomou o controle do território há 18 meses.  Negociações Sete representantes do Hamas cruzaram a fronteira com o Egito na noite de sexta-feira através da passagem em Rafah, onde seguiram para o Cairo para as negociações patrocinadas pelo governo egípcio sobre uma trégua com Israel.  As negociações começariam em algum momento deste sábado após a chegada de uma delegação do Hamas da Síria, incluindo os membros da cúpula do grupo, entre eles Mohammed Nasr e Imad al-Alami.

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