Israel não pedirá desculpas à ONU por ofensiva contra Gaza

Presidente israelense classifica relatório sobre bombadeiros contra instalações humanitárias como ultrajante

Agência Estado e Associated Press,

06 de maio de 2009 | 14h25

"Israel jamais pedirá desculpas" pela ofensiva militar contra a Faixa de Gaza, entre o fim de 2008 e o início de 2009, afirmou nesta quarta-feira, 6, o presidente israelense, Shimon Peres, durante visita à sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York. Ele ainda qualificou como "ultrajante" um recente relatório da entidade que acusa o Estado judeu de ter feito declarações falsas sobre bombardeios a instalações da ONU durante o conflito

 

Numa conversa com jornalistas depois de uma reunião com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, Peres admitiu que o Exército de seu país cometeu erros durante o conflito, mas mesmo assim disse que Israel não aceita nem ao menos "uma palavra" do relatório elaborado pelos investigadores da entidade.

 

Na terça-feira, Ban disse que a investigação da ONU provou que armas israelenses - algumas delas contendo fósforo branco - foram a "causa indiscutível" dos ataques a várias escolas, uma clínica médica e a sede da entidade mundial em Gaza. A primeira das 11 recomendações dos investigadores pede que a ONU deixe claro que o relato de Israel segundo o qual tiros foram disparados de duas instalações da ONU eram falsos. Outra delas afirma que a ONU deve buscar compensação pelos gastos tidos com a violência.

 

Pelo menos 1.100 habitantes do território morreram durante a ofensiva de três semanas iniciada em 27 de dezembro último, segundo dados de ambos os lados. Os militares afirmam que a maioria dos mortos era de militantes, enquanto os palestinos dizem que a maioria era de civis.

 

Em março, o grupo Centro Palestino de Direitos Humanos divulgou a identidade de 1.417 palestinos mortos durante uma ofensiva militar israelense, afirmando que 926 deles eram civis, 236 eram milicianos e 255 eram integrantes das forças locais de segurança. Dias depois, o Exército de Israel contestou as denúncias de que a maior parte dos mortos fosse composta por civis. Além disso, afirmou que 1.166 pessoas morreram em Gaza durante a ofensiva, das quais 709 seriam militantes do Hamas. O número de civis mortos seria de pouco menos de 300. O anúncio não esclareceu se as outras 162 pessoas mortas eram combatentes ou civis nem forneceu a identidade das vítimas.

 

Israel lançou uma ofensiva com o objetivo declarado de interromper anos de lançamento de foguetes palestinos contra em sua fronteira. O Exército usou força sem precedentes na pequena faixa mediterrânea, incluindo mais de 2 mil ataques a bomba e barragens de artilharia e morteiros contra militantes palestinos que operavam em áreas residenciais.

 

Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que há grande suspeita que tanto Israel quanto o Hamas colocaram civis em perigo. O Hamas ao usá-los como cobertura e Israel ao usar força desproporcional na densamente povoada Faixa de Gaza. Desde que a guerra terminou, em 18 de janeiro, tem havido pedidos para investigações sobre crimes de guerra atribuídos aos dois lados.

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