Israel não vai manter veto a assentamentos na Cisjordânia, diz Netanyahu

O presidente palestino Mahmoud Abbas já ameaçou abandonar as conversações

Associated Press, AP

12 de setembro de 2010 | 16h42

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse neste domingo que as restrições aplicadas atualmente à colonização da Cisjordânia por judeus não permanecerão, embora limites à expansão dos assentamentos possam continuar.

 

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O congelamento de dez meses na construção de novas unidades habitacionais na Cisjordânia expira no fim de setembro, e é um ponto fundamental nas novas conversações de paz com os palestinos.

 

O presidente palestino Mahmoud Abbas já ameaçou abandonar as conversações se Israel não renovar as restrições.

 

Netanyahu disse ao enviado de paz Tony Blair que "os palestinos exigem que, depois de 26 de setembro, haja zero crescimento" de assentamentos na Cisjordânia. "isso não vai acontecer", acrescentou o líder israelense. Israel não construirá as "dezenas de milhares de unidades habitacionais que estão em projeto, mas não congelaremos a vida dos moradores".

 

Ele não deu mais detalhes, mas a declaração implica que a proibição de expansão será, ao menos parcialmente, suspensa.

 

O primeiro-ministro impôs o congelamento de dez meses para promover a retomada das negociações de paz. Mas vários milhares de unidades habitacionais que já estavam em andamento tiveram permissão de prosseguir, e a medida não se aplica aos bairros judaicos de Jerusalém Oriental. Mesmo assim, houve um congelamento de facto também lá.

 

O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu que o congelamento seja mantido.

 

Membros do Partido Likud, de Netanyahu, e parceiros da coalizão governista se opõem à prorrogação da medida.

 

Os palestinos repetiram as ameaças de abandonar as negociações. "Nossa posição é muito clara", disse o porta-voz Husam Zomlot. "Se a construção e expansão dos assentamentos continuar, estamos fora".

 

O negociador Nabil Shaath rejeitou ainda um cenário em que Israel suspendesse a construção de assentamentos na periferia das áreas já colonizadas, mas permitiria  a expansão na direção da fronteira entre Cisjordânia e o território israelense. Shaath disse que isso transferiria a Israel o direito de decidir quais assentamentos manter.

 

Os palestinos querem um Estado nos territórios de Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. Eles expressaram a disposição de trocar partes da Cisjordânia por terras israelenses, para permitir que alguns assentamentos fiquem dentro das fronteiras de Israel, mas nenhum acordo foi atingido.

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