Israel nega sugestão de plano de trégua de 48 horas em Gaza

Imprensa afirma que oficiais estudam plano para suspender ofensiva e favorecer acordo diplomático na região

Agências internacionais,

30 de dezembro de 2008 | 15h59

O serviço de segurança israelense Shin Bet e Forças de Defesa negaram nesta terça-feira, 30, as informações de que a inteligência militar da Defesa planeja recomendar uma trégua de 48 horas contra os militantes palestinos do Hamas, segundo afirma a edição do jornal israelense Haaretz. O premiê israelense, Ehud Olmert, disse nesta terça que a ofensiva contra a Faixa de Gaza continuará pelo tempo que for necessária para alcançar os objetivos do gabinete da Defesa em desestabilizar o regime do Hamas. "A ofensiva começou e não terminará e até que nossos objetivos sejam alcançados, seguiremos de acordo os planos", afirmou. As declarações do premiê foram feitas em resposta às supostas recomendações de trégua.   Veja também: Militares israelenses sugerem trégua em Gaza Em Curitiba, palestino não pode voltar para casa  Lula: ONU não tem coragem para pôr paz em Gaza  Egito recusa abertura da fronteira com a Faixa de Gaza Israel rejeita trégua e diz que esta é 'só a 1ª fase' UE pede a Israel e Hamas que suspendam ataques   Lapouge: Israel quer restabelecer orgulho militar   Sete mil se alistam no Irã para atentados suicidas contra Israel Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos Veja imagens de Gaza após os ataques      Segundo informou a imprensa, Israel estuda interromper momentaneamente sua ofensiva em Gaza para dar uma oportunidade para verificar se o grupo islâmico realmente suspenderia o disparo de foguetes contra Israel - se isso não ocorrer, Israel então desfecharia a invasão terrestre da Faixa de Gaza. Funcionários graduados da Defesa acreditam que esse processo diplomático não deverá ser um gesto unilateral de Israel, mas deveria se basear em uma iniciativa originalmente proposta pelo ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner. A iniciativa é vista, entre os oficiais israelenses, como a última capaz de evitar uma invasão terrestre em larga escala da Faixa de Gaza, território onde vivem 1,4 milhão de palestinos. Segundo o Haaretz, o governo de Israel anunciaria sua decisão sobre a trégua temporária nas próximas horas desta terça-feira.   O ministro de Infra-estrutura Binyamin Ben-Eliezer condenou as informações sobre a suposta proposta de trégua, afirmando que 48 horas permitiriam que o Hamas se reorganizasse. "O Hamas ainda não sofreu danos suficientes nos ataques recentes", afirmou. Enquanto isso, o governo afirmou que está preparado para trabalhar com a França e outros países para aumentar a ajuda humanitária na Faixa de Gaza. "Queremos ver comboio atrás de comboio de ajuda humanitária e desejamos trabalhar com todos as partes internacionais relevantes para facilitar esse objetivo", afirmou o porta-voz de Olmert, Mark Regev, questionado sobre a proposta francesa de trégua. "Ao mesmo tempo, é importante manter a pressão ao Hamas, sem dar tempo para que eles se reagrupem e reorganizem", afirmou.   O presidente Shimon Peres afirmou que a operação não é apenas para acabar com o lançamento de foguetes contra o sul de Israel, mas também para acabar com o terror no mundo todo. "O terror é um problema mundial, e também é nosso", disse. Peres ressaltou que "não há ninguém no mundo que entenda quais são os objetivos do Hamas e por que eles continuam disparando foguetes" contra Israel.       Quatro pessoas morreram nas localidades próximas a Gaza pelo disparo pelas milícias palestinas de cerca de 200 projéteis de fabricação caseira que começou o bombardeio em massa à Faixa. "Israel não está combatendo a população palestina, (mas) só contra uma organização terrorista que fez sua bandeira da continuação da violência e a ameaça da estabilidade regional", acrescentou o presidente israelense no encontro, realizado em sua residência em Jerusalém.   Nesta terça-feira, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, fez um discurso de cadeia nacional de televisão para dizer que não abrirá a fronteira com a faixa de Gaza, embora tenha dado a permissão para o tratamento de feridos em hospitais do Sinai e permitido que alimentos e remédios sejam enviados ao território palestino sitiado. Mubarak disse que só abrirá a fronteira quando o presidente palestino Mahmud Abbas retomar o controle da Faixa de Gaza, que perdeu para o Hamas em meados de 2007. Mubarak tem se incomodado com a presença dominante de um grupo islâmico em um território vizinho e teme que a força do Hamas insufle os dissidentes islâmicos no Egito.

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