Israel ofereceu 75% da ajuda a Gaza por soldado, diz Hamas

Grupo afirma que está pronto para começar a troca pelo refém israelense a partir desta quinta-feira

Agências internacionais,

04 de fevereiro de 2009 | 07h57

Um oficial do Hamas afirmou que Israel teria oferecido permitir a entrada de 75% de produtos atualmente proibidos na Faixa de Gaza em troca da entrega do soldado israelense Gilad Shalit, refém do grupo desde 2006. Assim informa nesta quarta-feira, 4, a agência de notícias palestina independente Ma'an, que afirma que os 25% restantes dos produtos que atualmente não entram na faixa são materiais que Israel alega que podem ser usados para fabricar armamento.   Veja também: Israel autoriza novo assentamento judaico na Cisjordânia Linha do tempo dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  História do conflito entre Israel e palestinos  Imagens das crianças em meio à destruição em Gaza        Salah al-Bardawil, representante do movimento islâmico, falou com a agência por telefone do Cairo, onde se encontra como parte de uma delegação do Hamas que atualmente negocia a possibilidade de definir um cessar-fogo durável na Faixa de Gaza. Segundo ele, o grupo estaria pronto para começar uma troca pelo prisioneiro a partir desta quinta-feira. "Não temos objeção a um cessar-fogo em troca da suspensão do bloqueio e a abertura dos cruzamentos. Não somos contra analisar o caso de Shalit junto com as negociações para a trégua", disse o representante do Hamas.   No entanto, afirmou que havia "solicitado explicações sobre a natureza do material que Israel não permitirá entrar" em Gaza. Sobre as negociações, Bardawil disse que, como parte de um cessar-fogo, o Hamas definirá parar o disparo de projéteis contra Israel, mas solicitou a ajuda do Egito para convencer as outras facções armadas a também aderir à contenção.   Sobre a demanda de Israel do fim do contrabando de armas através de túneis subterrâneos que ligam Gaza e o território egípcio, respondeu que o Hamas não é um Estado, e que precisaria da cooperação de outras nações. No entanto, explicou, "o Hamas não aceitará suspender o contrabando de armas a Gaza, porque isso significará o final da resistência".   Um porta-voz do Hamas afirmou na terça-feira que o Egito considera reabrir as fronteiras com a Faixa de Gaza para permitir a entrada de material para a reconstrução do território palestino, devastado durante os 22 dias da ofensiva israelense. O grupo exige que Israel levante o bloqueio das fronteiras do enclave palestino, mas o Estado judeu não permite nem a entrada de materiais como vidro, aço e cimento usados para obras. Oficiais israelenses afirmam que esses materiais podem ser usados pelo grupo para construir foguetes e túneis de contrabando.   Negociações   No Egito, Bardawil isse ainda que o Hamas ainda não tem todas as garantias de que Israel vá se comprometer com um acordo alcançado com o Egito. "Até o momento, não temos garantias de 100% de que Israel vá respeitar um acordo que inclua um cessar-fogo e a abertura das passagens fronteiriças". Ele especificou, no entanto, que seu grupo conseguiu quase 80% das garantias necessárias para a obtenção da trégua.   As autoridades egípcias, que realizam uma intensa atividade diplomática desde o começo da ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza, em 27 de dezembro do ano passado, afirmaram antes que esperam que se chegue a um acordo para uma trégua de longa duração na quinta-feira. A missão do Hamas, formada por membros do interior (Faixa de Gaza) e do exterior (exilados na Síria), chegou na segunda-feira ao Cairo para continuar as discussões na capital egípcia. O Hamas mostrou sua disposição de aceitar uma trégua de um ano em troca da reabertura das passagens fronteiriças que Egito e Israel mantêm fechadas desde junho de 2007.

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