Israel ofereceu território à ANP em troca de colônias em 2008

Proposta foi feita pelo ex-premiê Ehud Olmert a Mahmoud Abbas; palestino não respondeu ao israelense

Efe,

17 de dezembro de 2009 | 12h12

O ex-primeiro-ministro israelense Ehud Olmert ofereceu aos palestinos 327 quilômetros quadrados do território de Israel em troca da anexação dos três grandes blocos de assentamentos judaicos que há na Cisjordânia, segundo informou nesta quinta-feira, 17, um jornal israelense.

 

A proposta foi apresentada por Olmert à Autoridade Nacional Palestina (ANP) em setembro de 2008, pouco antes do bloqueio do processo de paz iniciado oito meses antes, de acordo o diário Ha'aretz.

 

Com a troca de território, o então primeiro-ministro buscava deixar em suas casas cerca de 75% dos mais de 250 mil colonos que vivem atualmente em território ocupado palestino.

 

Segundo os mapas que Olmert apresentou ao presidente da ANP, Mahmoud Abbas, a oferta consistia na cessão ao futuro Estado palestino de terras junto à Faixa de Gaza, assim como no norte do Vale do Jordão, as Colinas da Judeia, e a zona de Lajish, próxima a Ashkelon.

 

No total, diz o diário, Olmert pediu para anexar 6,3% da Cisjordânia e dar em troca um território equivalente a 5,8% e que ocupasse uma estrada que conectaria Gaza com a Cisjordânia, que ficaria sob soberania israelense mas sob controle exclusivo palestino.

 

A existência de proposta para uma troca de territórios entre israelenses e palestinos não é nova, mas até agora não se conhecia o alcance da troca nem as zonas exatas abrangidas. Ao contrário das propostas feitas por primeiros-ministros anteriores, Olmert ofereceu aos palestinos terras agrícolas de qualidade, em lugar de terreno desértico ao sul de Gaza.

 

Segundo o diário, Abbas não respondeu, e as negociações se estagnaram pouco depois, devido à crise política interna que conduziu à renúncia do primeiro-ministro em Israel e, mais tarde, à guerra em Gaza. Em entrevista publicada na quarta-feira pelo mesmo diário, o presidente palestino confirma ter recebido várias minutas do mapa de Olmert.

 

O escritório de Olmert, que desde sua renúncia está dedicado aos negócios, confirmou a existência de "um mapa para resolver o problema das fronteiras entre Israel e o futuro Estado palestino", que estava sujeito à assinatura de um acordo de paz que pusesse um fim no conflito em todas as suas ramificações.

 

Finalmente, ao não ter chegado ao acordo, o mapa não foi entregue aos palestinos para que não pudessem utilizá-lo como ponto de saída em futuras negociações com Israel, assinala o diário.

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