Israel ordena alteração de rota em barreira na Cisjordânia

Juizes aceitam argumento de que muro israelense separa agricultores palestinos de suas terras

Guila Flint, BBC

04 de setembro de 2007 | 09h28

A Suprema Corte de Justiça de Israel acatou, nesta terça-feira, 4, o recurso da aldeia palestina de Bilin e ordenou o governo a alterar o traçado da barreira que está construindo na Cisjordânia. Os juizes aceitaram os argumentos dos habitantes de Bilin, ao norte de Jerusalém, de que a barreira israelense separa os agricultores de suas terras, causando um grande transtorno à vida dos palestinos na região. O traçado original permitiu que as terras cultivadas da aldeia fossem praticamente anexadas aos assentamentos israelenses de Modiin e Matitiahu, bloqueando o acesso dos palestinos às suas propriedades, que ficaram do lado "israelense" da barreira. A juíza Dorit Beinish, presidente da Suprema Corte, determinou que "o Estado deve reconsiderar o traçado da barreira de separação em Bilin, em um prazo razoável, de maneira que prejudique menos os habitantes da aldeia e deixe, na medida do possível, as terras cultivadas do lado leste da cerca". A juíza instruiu o Exército e o governo a destruirem partes já construidas da barreira e criticou em termos duros o traçado atual. "O traçado atual da cerca causa danos desproporcionais aos habitantes da aldeia e é obvio que foi influenciado pelos planos de ampliar os bairros de Modiin e Matitiahu", afirmou a juíza. "O planejamento da cerca de segurança não deve se basear na intenção de incluir, no lado ''israelense'', terras para a ampliação de assentamentos. A Corte não se convenceu de que o traçado atual seja necessário por razões de segurança". Israel afirma que a barreira que está construindo na Cisjordânia tem o objetivo de impedir ataques de militantes palestinos às cidades israelenses. Porém, grande parte da barreira está sendo construída dentro da Cisjordânia, em terras palestinas, e, em muitos casos, separando agricultores de suas terras, alunos de escolas e doentes de hospitais. A aldeia de Bilin se tornou um símbolo da luta contra a barreira israelense, tendo sido palco, nos últimos dois anos, de manifestações pacíficas e semanais, com a participação de palestinos e israelenses. A decisão da Suprema Corte poderá servir de precedente para que dezenas de aldeias palestinas, que se encontram em situação semelhante a de Bilin, também entrem com recursos.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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