Israel ordena fechamento de fronteira com a Cisjordânia

Proibição começa a valer a partir desta sexta e vai até domingo por 'razões de segurança'; Lula chega domingo

Efe,

12 de março de 2010 | 08h39

 

Jovem palestino reza fora da área bloqueada por Israel. Oded Balilty/AP

 

JERUSALÉM - O Ministério de Defesa de Israel impôs o "fechamento geral" do território palestino ocupado da Cisjordânia durante os próximos dois dias, informou nesta sexta-feira, 12, o Exército israelense em comunicado.

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O fechamento começou por volta da meia-noite pelo horário local (19 horas em Brasília), e segue até as meia-noite do próximo domingo "de acordo com a avaliação de segurança", indica uma nota das Forças de Defesa de Israel.

 

Apenas os muçulmanos que têm passaporte israelense terão acesso à Esplanada das Mesquitas em Jerusalém. No caso dos homens, apenas os maiores de 50 anos, segundo informou o porta-voz da Polícia israelense, Miki Rosenfeld. "Aumentamos a segurança dentro e ao redor de Jerusalém Oriental para impedir que haja revoltas após as orações da sexta-feira", disse o porta-voz.

 

O fechamento da Cisjordânia, que não só impede a passagem dos palestinos ao território israelense, mas também ao território palestino ocupado, como é o caso de Jerusalém Oriental, são frequentes durante as festividades oficiais do Estado judeu, mas há anos não eram decretados fora dessas datas.

 

Protestos

 

Quatro palestinos foram detidos por atirar pedras e dois policiais foram levemente feridos em alguns protestos pelo fechamento da área ocupada, segundo um porta-voz policial. Testemunhas disseram ter visto um palestino jogar pedras contra um carro que levava crianças judias.

 

Na Faixa de Gaza, manifestantes protestaram contra a ação da Polícia em Jerusalém. "Iremos retomar a mesquita de Al-Aqsa com nossa alma e nosso sangue", gritava a multidão, que queimou bandeiras de Israel e dos EUA.

 

Khalil al-Hayya, um dos líderes do Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza, pediu que o rival, o presidente Abbas, revertesse a decisão de voltar às negociações indiretas com Israel. Os países concordaram em voltar ao diálogo sob mediação dos EUA após 15 meses de paralisação. "Essas negociações dão cobertura para a agressão sionista contra nosso povo e nossa terra. Irritados, pedimos que o negociador palestino se retire desse diálogo que encorajam a construção de novos assentamento e 'judeização' de Jerusalém", disse o líder

 

Segurança

 

Segundo a imprensa local, o Ministério de Defesa ordenou o fechamento após receber relatórios dos serviços de inteligência sobre planos palestinos para efetuar manifestações em Jerusalém neste fim de semana. No último mês, houve confrontos às sextas-feiras após as orações muçulmanas do meio-dia em torno da Esplanada das Mesquitas, terceiro lugar mais sagrado para o Islã.

 

Na sexta-feira passada, 80 pessoas, entre elas cerca de 20 policiais, sofreram ferimentos leves nos choques que aconteceram no lugar sagrado, situado na velha cidadela amuralhada de Jerusalém.

 

O Exército israelense informou que durante o fechamento da Cisjordânia, pessoas como pacientes, médicos, trabalhadores religiosos, professores e outros grupos profissionais poderão passar pela Esplanada "por razões humanitárias". Essas exceções, entretanto, devem ter a autorização da denominada Administração Civil, o corpo militar que administra a ocupação dos territórios palestinos.

 

As forças de segurança israelenses também asseguram que jornalistas poderão entrar e sair da Cisjordânia, mas a coordenação deste processo pode ficar nas mãos do Exército.

 

(Atualizado às 14h29)

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