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Israel ordena retirada de civis e bombardeia sul de Gaza

Com folhetos, Exército pede a residentes de Rafah que deixem suas casas; total de mortos aumenta para 700

Agências internacionais,

07 de janeiro de 2009 | 18h32

O Exército israelense lançou nesta quarta-feira, 7, milhares de folhetos ordenando retirada aos residentes da região de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, e agora bombardeia a região para destruir túneis que ligam a faixa ao Egito. Um porta-voz do Exército informou que "há algumas horas se indicou à população que abandonasse suas casas imediatamente e que não retornassem até amanhã, às 8h (11h de Brasília)" e, pouco depois, se iniciou um bombardeio que "continua neste momento."   Veja também: Milhares de palestinos fogem de Rafah durante bombardeios Gabinete israelense aprova ampliação de ofensiva em Gaza Ataques mataram 205 crianças, dizem palestinos  Após trégua humanitária, violência retorna a Gaza França provoca confusão ao anunciar cessar-fogo  Trégua por 3h é piada, diz ex-relator da ONU brasileiro  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Brasileiros que vivem em Gaza não querem sair  Brasileiros que vivem na região falam sobre o conflito  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques        A operação, que começou em 27 de dezembro, já matou mais de 700 palestinos e feriu outros 2,9 mil, enquanto em Israel nove pessoas morreram e dezenas ficaram feridas por fogo das milícias palestinas. A ofensiva israelense foi iniciada 11 dias após o Hamas começar a lançar foguetes contra o território israelense, três dias antes do fim do cessar-fogo, que se encerrou em 19 de dezembro.   O objetivo dos ataques desta quarta é acabar com dezenas de túneis ao longo da "Rota Philadelphi", que liga o território palestino ao Sinai egípcio e pelos quais, segundo Israel, as milícias se abastecem de armas e foguetes que lançam contra seu território. O Exército israelense continua, pelo 12º dia consecutivo, a ofensiva "Chumbo Fundido", que tenta minar a capacidade do Hamas e das milícias armadas de atacar o sul de Israel.   Tanques israelenses atacam Gaza no 12.º dia da ofensiva na região.Foto: Reuters   Nesta quarta-feira, Israel implementou uma trégua de três horas para permitir a entrada de alimentos e combustíveis na Faixa de Gaza para os sitiados civis palestinos. No total, 80 caminhões, com alimentos e combustíveis para as termelétricas que geram a eletricidade do território, puderam entrar.   Médicos tentaram recuperar corpos em áreas onde, por causa do fogo cruzado, era difícil se aproximar. O som das ambulâncias podia ser ouvido à distância, enquanto muitos veículos levavam feridos para o Egito.   Vários bombardeios e disparos de tanques israelenses foram ouvidos logo após o final da trégua humanitária de três horas. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que Israel havia aceitado o plano de trégua do Egito para Gaza, mas logo depois seu gabinete afirmou que ele estava simplesmente celebrando a reação israelense à proposta feita mais cedo.   Após o comunicado da presidência francesa, o porta-voz do governo israelense, Mark Regev, afirmou que as negociações ainda estão em andamento. Segundo o porta-voz, Israel "saúda" a proposta de França e Egito para encerrar a violência e aceitaria a proposta se fosse interrompido o "fogo hostil" vindo de Gaza e houvesse medidas para evitar o rearmamento do grupo militante Hamas. Além do porta-voz de Israel, o Hamas também afirmou que ainda está conversando com o Egito sobre a proposta.   Violação de Genebra   As ações de Israel na Faixa de Gaza representam uma violação dos direitos humanos e são um "claro exemplo" de uso desproporcional da força, na opinião de Richard Falk, relator especial da ONU para a Situação dos Direitos Humanos nos Territórios Palestinos.   Falk, que conversou com jornalistas em São Paulo, criticou a decisão israelense de proibir a saída de pessoas da Faixa de Gaza, o que cria uma situação "sem precedentes na história das guerras urbanas modernas". "Em todas as guerras vários refugiados são produzidos por pessoas que tentam escapar das coisas horríveis que acontecem com elas e com suas famílias", disse o relator.   "Mas Israel impôs uma proibição total para sair de Gaza. Um civil palestino não pode tornar-se um refugiado", acrescentou na entrevista organizada pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo.   O relator especial, que teve sua entrada em Israel negada pelas autoridades do Estado israelense após, segundo ele, ficar 15 horas detido numa cela no dia 14 de dezembro, também acusou o país de tentar esconder a realidade ao não permitir a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza.   Crítico da política israelense para a Faixa de Gaza, Falk afirmou que o bloqueio imposto pelo Estado de Israel à região viola a Convenção de Genebra por se tratar de uma "punição coletiva" e por impedir que a população de Gaza tenha acesso à alimentação e a cuidados médicos básicos.

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