Israel planeja construir mais de mil casas em Jerusalém Oriental

Lado da cidade é reivindicado por palestinos em acordo; governo não considera expansão de assentamentos

Agência Estado e Associated Press,

12 de fevereiro de 2008 | 11h38

Israel tem planos de construir mais de 1.100 habitações para judeus em Jerusalém Oriental, setor tradicionalmente árabe da cidade sagrada, anunciou nesta terça-feira, 12, um ministro de governo. A notícia tende a abalar ainda mais os já conturbados contatos de paz entre as partes e enfureceu dirigentes palestinos, que reivindicam Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado Tanto israelenses quanto palestinos reivindicam Jerusalém como capital. A cidade - sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos - foi capturada por Israel em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias. Anos mais tarde, o governo israelense anexou a cidade e a declarou sua capital "eterna e indivisível". As iniciativas israelenses, no entanto, são rechaçadas pela comunidade internacional, que defende uma solução negociada. O ministro israelense da Habitação, Zeev Boim, disse à Rádio Israel que estão em andamento os planos para a construção de 370 apartamentos em Har Homa e de mais 750 em Pisgat Zeev, dois bairros judeus de Jerusalém Oriental. No fim do ano passado, um anúncio segundo o qual 307 habitações seriam construídas em Har Homa abalou as negociações de paz recém-retomadas depois de sete anos de paralisia. Os palestinos reivindicam o setor árabe da cidade, conhecido como Jerusalém Oriental, como capital de seu futuro Estado independente e soberano. Atualmente, cerca de 180 mil israelenses vivem no setor árabe da cidade. De acordo com o último censo, 208 mil palestinos vivem em Jerusalém Oriental. Ao contrário dos palestinos e da comunidade internacional, Israel não considera que as construções em Jerusalém Oriental constituam atividade de assentamento. "As obras em Jerusalém continuam normalmente", disse Gali Cohen, uma porta-voz do primeiro-ministro Ehud Olmert. Israel tem planos de manter os judeus em Jerusalém Oriental depois de um eventual acordo de paz, mas os palestinos consideram que as ações israelenses comprometerão a possibilidade de acordo. Olmert e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, declararam dezembro deste ano como prazo final para a obtenção de um acordo. O negociador palestino Saeb Erekat observou que o novo anúncio mina ainda mais as chances de se obter um acordo de paz ainda este ano. "Nós denunciamos as declarações israelenses e mais uma vez pedimos ao governo de Israel que dê um chance para a paz interrompendo todas as atividades de assentamento", disse ele. Enquanto isso, soldados israelenses invadiram 14 casas de câmbio na Cisjordânia, confiscaram quase US$ 850 mil e prenderam cinco pessoas sob suspeita de transferência de recursos para organizações rebeldes palestinas.

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