Israel planeja criar centro de detenção para imigrantes ilegais

Israel anunciou na quinta-feira que planeja estabelecer um centro de detenção para controlar os movimentos de imigrantes sudaneses e eritreus que entram ilegalmente no país a partir da região do Sinai, no Egito.

REUTERS

25 de novembro de 2010 | 16h41

O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deverá aprovar o projeto numa sessão marcada para breve. O centro poderá começar a funcionar em questão de semanas no deserto de Negev, no sul de Israel, disse uma autoridade israelense.

Em um país sensível às comparações com os campos de concentração nazistas onde judeus foram assassinados, as autoridades insistiram que o centro será aberto. Mas não afirmaram com qual frequência os imigrantes inscritos ali teriam autorização para ir e vir.

O diretor-geral do gabinete de Netanyahu, Eyal Gabai, afirmou que o centro forneceria alimentos, abrigo e assistência de saúde aos africanos. Ele seria destinado a reduzir o fluxo de imigrantes ilegais que, segundo ele, chegaram a 35 mil nos últimos anos.

"Israel tenta combater uma situação na qual o Estado e seus cidadãos são vulneráveis a infiltradores que entram por motivos econômicos", muitos dos quais buscam trabalhar de forma ilegal, disse ele numa entrevista à Rádio Israel.

Gabai afirmou que Israel evitará "ações excessivas", como a deportação de imigrantes, que poderiam colocar a vida deles em perigo, mas também quer limitar os incentivos econômicos que os atraem.

Ele afirmou que número de imigrantes africanos poderá chegar a 20 mil em 2011, mais do que o número de imigrantes legais que Israel espera receber no ano que vem.

Israel também começou a construir uma barreira ao longo da fronteira. Atualmente a maior parte dela é uma faixa de deserto sem cerca.

As autoridades israelenses não informaram quantos imigrantes que já estão em Israel seriam enviados ao centro, que deve ser construído no mesmo lugar ou perto do local onde havia um campo de prisioneiros para palestinos.

"Não vamos prendê-los nem afastá-los", afirmou Gabai. "Eles podem se divertir, comer e beber. Nem todo mundo que chega a Israel precisa ter a autorização para trabalhar aqui."

Israelenses liberais criticaram o projeto. O deputado Ilan Gillong, do partido de esquerda Meretz, chamou-o de "chocante" e disse que o governo deveria agir de forma mais humana e emitir licenças de trabalho a ao menos parte dos imigrantes.

Estabelecido como Estado judaico em 1948, Israel dá boas-vindas a imigrantes judeus, cuja maioria recebe cidadania automática. O país também trouxe dezenas de milhares de judeus etíopes, muitos deles que passavam fome, no começo dos anos 1980.

As regras contra os visitantes não-judeus têm se tornado mais severas, embora Israel tenha permitido o trabalho limitado a dezenas de milhares de estrangeiros nos últimos anos em setores como agricultura, construção civil e trabalhos domésticos.

A legislação que restringe esse trabalho provocou um movimento de greve dos agricultores recentemente. Eles reclamam que, sem os ajudantes asiáticos, o gasto que eles terão ficará proibitivo.

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