Israel planeja tomar corredor da fronteira entre Gaza e Egito

Diplomatas dizem que ocupação seria opção da terceira fase da ofensiva israelense contra o território palestino

Reuters e Associated Press,

12 de janeiro de 2009 | 11h54

Os planos militares de Israel na Faixa de Gaza incluem a opção de voltar a tomar a pequena porção de terra que separa o enclave costeiro do Egito para impedir que o Hamas se rearme, segundo afirmaram diplomatas ocidentais nesta segunda-feira, 12. Sob anonimato, os representantes disseram que a operação terrestre para voltar a tomar o corredor Filadélfia e partes da cidade de Rafah seria uma das principais opções da chamada "terceira fase" da ofensiva de Israel se fracassarem as negociações por um cessar-fogo.   Veja também: ONU investigará violações em ofensiva de Israel Israel manda reservistas e avança em centros urbanos Custo da guerra é de US$ 8 milhões por dia  Síria quer mostrar poder  'Bomba em escola da ONU foi erro de mira'  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques       Israel intensificou seus bombardeios aéreos noturnos sobre o chamado corredor Filadélfia com a finalidade de destruir os túneis de contrabando que o grupo islâmico poderia usar para mobilizar foguetes de longo alcance, líderes e militantes do grupo e recursos financeiros. Uma operação terrestre ao longo do corredor permitiria que Israel usasse escavadeiras e sonares para eliminar os túneis que ainda não foram destruídos pelos aviões. Operadores de túneis locais palestinos estimam que centenas de passagens secretas foram desativadas, mas que outras centenas permanecem intactas.   Capturar o corredor Filadélfia, de 14 quilômetros de extensão na fronteira, daria a Israel uma arma de negociação para as negociações para encerrar a guerra. Israel exigiu garantias de segurança de parte do Egito e de potências ocidentais para que o Hamas não volte a construir túneis fronteiriços, mas ainda não há consenso sobre como isso seria feito.   O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, enfatizou a importância de se tomar "ações efetivas" em todo o corredor Filadélfia durante conversas com o ministro de Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, na noite de domingo, mas o escritório do Ministério não deu mais detalhes. Um importante diplomata europeu afirmou que um oficial de inteligência militar israelense, em uma reunião privada, reconheceu que uma ocupação terrestre para voltar a ocupar a região seria arriscada.   Em Rafah, na fronteira com o Egito, mais de 150 mil moradores já deixaram suas casas por conta da ofensiva israelense, que já matou mais de 900 pessoas. Muitas casas palestinas no corredor Filadélfia foram bombardeados. Israel afirma que elas abrigavam entradas de túneis que cruzavam a fronteira. A passagem arenosa tem apenas alguns metros de largura em algumas áreas, deixando as tropas terrestres expostas aos ataques com foguetes e emboscadas. Esse foi um dos motivos que levou Israel a abandonar o corredor quando retirou suas tropas e colonos da Faixa de Gaza em 2005.   Envio de reservistas   Aviões de combate israelenses lançaram ataques contra residências de líderes do Hamas e tropas por terra se aproximaram do densamente povoado centro da Faixa de Gaza nesta segunda-feira. Um porta-voz militar israelense disse que reservistas do Exército de Israel foram enviados para a ofensiva, iniciada há 17 dias sob a justificativa de impedir o Hamas de disparar foguetes contra o Estado israelense. Israel não descarta, porém, lançar uma terceira fase da ofensiva, que seria a ocupação da Cidade de Gaza e de outros centros urbanos do território.   Do centro de Cidade de Gaza era possível observar uma fumaça negra vinda dos subúrbios do leste, onde os militares israelenses e membros do Hamas entraram em confronto durante a noite. Pelo menos seis palestinos foram mortos em novos ataques aéreos ou morreram pelos ferimentos nesta segunda-feira, segundo funcionários do serviço médico de Gaza. Uma das vítimas era um militante, morto em um confronto ao norte de Gaza. Os militantes ainda lançavam foguetes no território israelense nesta segunda-feira, sem causar feridos.   O Exército de Israel anunciou no domingo que enviaria unidades de reservistas para Gaza, a fim de auxiliar milhares de soldados já no território. O uso dos reservistas é uma mostra de que Israel pretende chegar a uma nova fase da ofensiva. Israel iniciou as operações com ataques aéreos. Após uma semana desses ataques, enviou soldados por terra à Faixa de Gaza. O confronto permanece, apesar dos pedidos por um cessar-fogo. Treze israelenses, incluindo dez soldados, morreram até agora na Ofensiva.   "Israel é um país que reage vigorosamente quando sãos cidadãos estão sendo atacados, o que é uma coisa boa", afirmou a ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, nesta segunda-feira, em entrevista à rádio Israel. "Isso é algo que agora o Hamas compreende e que é como reagiremos no futuro, se eles ousarem lançar um foguete em Israel."   O Hamas, ao menos em declarações públicas, afirma que pretende continuar com os confrontos. Já os líderes israelenses devem decidir em um ou dois dias se pretendem ampliar a ofensiva, apesar dos pedidos da comunidade internacional por um cessar-fogo e pela retomada das negociações de paz entre palestinos e israelenses. O Conselho de Segurança já aprovou uma resolução pedindo o fim imediato dos confrontos.

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