Israel promete investigar abusos de soldados na ação em Gaza

Jornais trazem relatos de execuções e vandalismos cometidos por militares na ofensiva no território palestino

Agência Estado e Associated Press,

19 de março de 2009 | 11h46

Dois jornais de Israel publicaram nesta quinta-feira, 19, relatos de execuções e abusos cometidos por soldados israelenses contra civis palestinos durante a ofensiva de três semanas contra a Faixa de Gaza. As fontes atribuíram os excessos a regras de combate extremamente permissivas segundo as quais os soldados podiam agir impunemente. Em resposta às denúncias, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, elogiou a conduta dos militares no geral, mas prometeu investigar os relatos.

 

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Em um dos casos reportados pelos jornais Haaretz e Maariv, um franco-atirador israelense matou uma mulher palestina e os dois filhos dela depois de as vítimas não terem entendido a orientação de um soldado e seguido para o lado errado depois de terem sido libertados da casa onde estavam confinados. O atirador não teria sido avisado sobre a libertação dos civis e abriu fogo quando eles se aproximaram, noticiaram os periódicos.

 

"O clima em geral, pelo que entendi da maior parte dos meus homens com os quais conversei, era o seguinte: Não sei bem como descrever... As vidas palestinas, digamos assim, valem menos, muito menos, que as de nossos soldados. Pelo que entendi, eles podem justificar (os assassinatos) dessa forma", disse um líder de esquadrão de infantaria citado pelos jornais.

 

Num outro caso, um comandante de companhia ordenou a execução extrajudicial de uma idosa que andava pela rua, apesar de ela estar próxima o suficiente para que os soldados percebessem que ela não representava ameaça nenhuma, prosseguiram os periódicos israelenses.

 

Soldados ouvidos pelos jornais também relataram destruição em larga escala de propriedades palestinas. "Podíamos jogar tudo pela janela para manter a ordem. Jogamos pelas janelas tudo o que estava nas casas: geladeiras, panelas, móveis. A ordem era jogar fora tudo o que estivesse nas casas", relatou um deles.

 

Os soldados citados pelos jornais basearam as denúncias em relatos feitos num encontro com novos recrutas em uma academia militar israelense. A transcrição das sessões foi publicada esta semana em um periódico que a academia publica para circular entre os aspirantes, informaram os jornais.

 

A assessoria de imprensa do Exército de Israel alegou não estar ciente dos relatos, mas prometeu investigar. Barak, por sua vez, qualificou as Forças Armadas de Israel como "o exército mais ético do mundo", mas "isso não significa que não haja exceções". "Não tenho dúvidas de que isso será checado cuidadosamente", declarou Barak.

 

Mais de 1.300 palestinos morreram durante uma ofensiva militar de três semanas contra a Faixa de Gaza promovida por Israel no início deste ano. Pelo menos a metade das vítimas era composta por civis. Treze soldados israelenses morreram no conflito.

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