Israel promete libertar mais 250 presos palestinos

Detidos serão soltos perto de feriado muçulmano; Israel permite entrada de alimentos em Gaza após 12 dias

Agências internacionais,

17 de novembro de 2008 | 11h42

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, prometeu ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, durante negociações realizadas nesta segunda-feira, 17, libertar 250 prisioneiros palestinos no próximo mês, afirmou um porta-voz de Olmert.   "Os 250 prisioneiros serão libertados antes do próximo feriado muçulmano", disse o porta-voz, descrevendo a manobra como um gesto de boa vontade em relação a Abbas, que retomou as negociações de paz com Israel depois de romper com o grupo islâmico Hamas, no ano passado. Os muçulmanos celebram em dezembro o festival Al-Adha.   Segundo o porta-voz, os prisioneiros a serem libertados não teriam ligação com movimentos islâmicos. O Estado judaico libertou palestinos no dia 25 de agosto, durante uma visita da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, que tentava arrancar dos dois lados um acordo de paz. Naquele momento, Israel descreveu a soltura dos 198 prisioneiros como uma tentativa de fortalecer Abbas. Cerca de 11 mil palestinos são mantidos sob custódia nas prisões israelenses e garantir a libertação deles é uma questão altamente delicada na sociedade palestina, que os vê como um símbolo da resistência à ocupação.   "O presidente Abbas pediu ao senhor Olmert que mantivesse de pé a trégua ampla na Faixa de Gaza e que libertasse os palestinos. O senhor Olmert concordou com libertar 250 prisioneiros no começo do próximo mês", disse Saeb Erekat, negociador de paz pelo lado palestino. Uma trégua de cinco meses mediada pelo Egito e selada entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza encontra-se, há duas semanas, sob pressão devido a uma onda de violência que incluiu ataques israelenses contra o território e lançamento de foguetes pelos militantes.   Bloqueio contra Gaza   Israel abriu nesta segunda o posto fronteiriço de Kerem Shalom com a Faixa de Gaza, após 12 dias consecutivos de fechamento, e permitiu a entrada de 30 caminhões carregados com alimentos e ajuda humanitária para o lado palestino. De acordo com Hatem Owaida, assessor do Ministério da Economia de Gaza, as autoridades israelenses comunicaram que "hoje permitirão a entrada de 30 caminhões, 12 deles com produtos lácteos e comida congelada para importadores privados e o restante para a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA)".   Na semana passada, a UNRWA foi obrigada a suspender a ajuda a 750 mil palestinos em Gaza por causa do término de seu estoque e do fechamento israelense dos postos fronteiriços. A passagem de Nahal Oz, pela qual entra o combustível, continuará fechada nesta segunda, o que prolongará os contínuos cortes de eletricidade e blecautes que afetaram nos últimos dias a população palestina em várias áreas da Faixa de Gaza.   As autoridades israelenses permitiram a abertura de Kerem Shalom, apesar de continuar o lançamento de foguetes palestinos contra o território israelense, e a milícia das Brigadas Al Quds reivindicaram a autoria de vários ataques.   O lançamento de foguetes foi retomado no último dia 5 após Israel realizar, na noite anterior, uma incursão na Faixa de Gaza na qual morreram seis milicianos. A série de ataques e contra-ataques que aconteceram desde então, na qual morreram 15 palestinos, colocou em perigo a manutenção da trégua válida na região desde o último mês de junho, quando Israel e o Hamas chegaram a um acordo para um cessar-fogo de seis meses.

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