Israel quer acabar com dependência de Gaza, diz vice-ministro

Ministério da Defesa diz que Estado judeu só é responsável enquanto não houver outra alternativa

Efe, REUTERS

24 de janeiro de 2008 | 07h20

Israel gostaria de cortar o restante de seus laços com a Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, depois que militantes explodiram o muro de fronteira do território com o Egito, afirmou nesta quinta-feira, 24, o vice-ministro da Defesa. Milhares de palestinos continuam a cruzar fronteira com o EgitoIsrael, que ocupou a Faixa de Gaza em 1967, começou a se separar do território em 2005, ao retirar tropas e colonos da região. O Estado judaico ainda controla as fronteiras norte e leste de Gaza, assim como o espaço aéreo e as águas costeiras.  "Precisamos entender que quando Gaza é aberta para o outro lado, perdemos responsabilidade por ela. Assim sendo, gostaríamos de nos desconectar dela", disse Matan Vilnai à Rádio do Exército. Vilnai disse que os esforços de Israel para se distanciar de Gaza "continuam, já que queremos parar de abastecer eletricidade para eles, parar de abastecer água e remédios, para que possam vir de outros lugares". "Somos responsáveis enquanto não houver outra alternativa", observou ele. Forças egípcias foram mobilizadas para a fronteira sul de Gaza, onde militantes usaram bombas na quarta-feira para destruir o muro, permitindo que dezenas de milhares de palestinos entrassem no país para fazer estoques de bens faltando devido ao bloqueio de Israel.  As autoridades israelenses retiveram o envio de combustível derivado do petróleo para a Companhia de Eletricidade de Gaza, declarou esta manhã Jamal al-Hudari, presidente do Comitê contra o Bloqueio imposto pelo Exército israelense a este território palestino. Hudari assinalou que, se Israel não permitir o envio de combustível, a empresa deixará de fornecer eletricidade à população que, por enquanto, a recebe na Cidade de Gaza e em outras localidades. Segundo fontes israelenses, a companhia que fornece combustíveis a Gaza deve ter 2,2 milhões de litros de combustível derivado do petróleo, suficientes para uma semana de eletricidade. Fontes militares israelenses indicaram que a passagem fronteiriça de Kerem Shalom permanecerá fechada à passagem de mercadorias para Gaza. Os combustíveis são transportados normalmente em caminhões-tanque pela companhia israelense que os vende a outros palestinos na passagem de Nachal Oz, que permanecia fechada, da mesma forma que os demais postos fronteiriços entre Gaza e esse país. Derrubada planejada Milicianos islamitas do Hamas planejaram durante meses a explosão da barreira de metal que marcava a fronteira de Gaza com o Egito, segundo uma fonte dos Comitês da Resistência Popular citada nesta quinta-feira pelo jornal Haaretz. Um dirigente do Hamas disse ao jornal israelense que foram militantes desses Comitês que abriram nesta quarta-feira 17 buracos na barreira que erguida pelo Exército israelense durante a ocupação de Gaza. A milícia do grupo não interferiu na operação dos Comitês, que foi seguida pouco depois com a de escavadeiras que derrubaram dois terços da barreira fronteiriça, assegurou o dirigente. A abertura da fronteira na passagem de Rafah e ao longo de oito quilômetros permitiu que dezenas de milhares de palestinos de Gaza atravessassem para o território egípcio para comprar alimentos, tabaco, gasolina e gás de cozinha, principalmente. Chefes da milícia do Hamas, que sabia de antemão da origem das explosões em Rafah, cidade com 180 mil habitantes, não deixaram a população chegar à passagem fronteiriça até três horas depois das detonações, às 6h (horário local). As explosões aconteceram após um violento protesto palestino contra as autoridades egípcias, que também mantinham a passagem de Rafah fechada.

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